Bactérias intestinais podem causar intoxicação alcoólica sem a ingestão de álcool

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Estudo revela que é possível testar positivo no bafômetro sem consumir álcool

Surpreendentemente, é possível obter um resultado positivo no bafômetro após ingerir apenas água e um prato de massa. Essa situação pode ser atribuída à síndrome da fermentação intestinal, uma condição médica que afeta algumas pessoas.

Pesquisadores de instituições renomadas identificaram cepas específicas de bactérias, como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae, responsáveis por gerar níveis intoxicantes de etanol no intestino. Isso abre novas possibilidades para tratamentos, incluindo o transplante fecal, demonstrando que algumas bactérias podem causar embriaguez sem a necessidade de consumo de álcool.

Tempestade metabólica

Um estudo recente analisou 22 pacientes diagnosticados com essa condição, comparando-os com 21 indivíduos saudáveis. Os resultados revelaram que as amostras fecais dos pacientes apresentavam a capacidade de produzir etanol em níveis alarmantes.

As amostras cultivadas mostraram concentrações de etanol de até 136 mg/dl, o que é significativo, considerando que o limite legal para dirigir em muitos países é de aproximadamente 50 mg/dl. Dessa forma, esses indivíduos estariam com o dobro do nível permitido, mesmo sem ter ingerido bebidas alcoólicas.

Fábrica de álcool

Este estudo muda a perspectiva sobre a origem do problema, deslocando o foco das leveduras para as bactérias. As análises genômicas indicaram um aumento significativo de genes associados à fermentação mista de ácidos.

É importante ressaltar que essas bactérias não devem ser rotuladas como “ruins”; o desequilíbrio no ecossistema intestinal é o que provoca essa condição.

Um dos principais gatilhos identificados para essa situação são os antibióticos, que podem desestabilizar a flora intestinal, permitindo que patógenos oportunistas dominem e metabolizem açúcares em álcool.

Tratamento

Esse problema é sério, não apenas pelo resultado positivo no bafômetro, mas pela toxicidade que o corpo enfrenta. O tratamento se concentra atualmente no transplante de microbiota fecal.

No estudo, o doador da microbiota fecal era um personal trainer com uma saúde intestinal exemplar. O resultado foi notável, pois o paciente com a síndrome viu a redução significativa dos sintomas e a eliminação da capacidade de “autoproduzir” álcool após a repopulação do intestino com bactérias saudáveis.

Além da embriaguez

Embora a ideia de sentir-se embriagado sem gastar em bebidas possa parecer atraente, essa condição pode levar a problemas sérios, como a doença hepática gordurosa não alcoólica. A produção constante de álcool pode resultar em danos hepáticos graves.

Socialmente, essa superprodução endógena de etanol já causou a perda de carteiras de habilitação e problemas trabalhistas injustos, evidenciando que essa condição é um problema médico sério, apesar de parecer uma desculpa conveniente.

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