Elos de Milei fogem de Flávio Bolsonaro em meio a suspeitas sobre jato e assessor
Incertezas cercam a fuga de Flávio Bolsonaro da Argentina rumo aos EUA.
Quatro dias após o início dos rumores sobre a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, o envolvimento do governo argentino na operação permanece nebuloso.
A administração de Javier Milei justificou a entrada do senador no país vizinho com a apresentação de documentação de viagem válida, além de afirmar que ele não era alvo de alertas pela Interpol.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após a notificação do cancelamento de seus passaportes pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ele utilizou o passaporte italiano para entrar na Argentina e o diplomático brasileiro para acessar os EUA.
O jato privado que o transportou, operado pela Baires Fly S.A., está sob investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a contratos públicos na Argentina. Este esquema de corrupção gerou um escândalo no governo Milei em 2025, resultando na demissão de um alto funcionário ligado ao caso.
Informações indicam que Santiago Caputo, assessor de Milei, esteve em Porto Iguaçu na noite anterior à fuga de Flávio, monitorando a operação. O voo teria sido contratado por empresas associadas à Embaixada dos Estados Unidos.
Caputo foi transportado em uma camionete, acompanhada por outro veículo, ambos identificados em uma blitz na rodovia que liga Porto Iguaçu a Buenos Aires.
Em resposta às acusações, Caputo negou envolvimento. Oposição ao governo Milei tem pressionado por esclarecimentos sobre o papel do governo na fuga do senador, que enfrenta investigações por lavagem de dinheiro no Brasil.
Iniciativas legislativas foram apresentadas, buscando convocar ministros para prestar esclarecimentos. Entretanto, a maioria do governo na comissão responsável pode dificultar a tramitação dessas medidas.
Historicamente, aliados de Milei têm se mostrado relutantes em comparecer ao Congresso, como evidenciado por uma convocação anterior em que apenas um dos ministros compareceu.
Denúncias penais foram feitas, incluindo uma solicitando investigação sobre tráfico ilegal de pessoas e abuso de autoridade durante a entrada de Flávio na Argentina. No entanto, o Tribunal Federal de Misiones arquivou a denúncia rapidamente, concluindo que não houve ilegalidades.
Outro processo em andamento envolve denúncias contra Milei e seus assessores por suposto encobrimento agravado, com penas que podem variar de seis meses a três anos de prisão.
Adicionalmente, um segundo caso investiga se houve uso de recursos públicos na fuga de Flávio, uma possibilidade que está sendo avaliada por um Tribunal Federal em Buenos Aires.