Ameaça a indígenas aumenta com reeleição de Lula e contaminação da água

Compartilhe essa Informação

Indígenas de Mato Grosso do Sul enfrentam aumento de violência e ameaças após eleições.

No Mato Grosso do Sul, a situação de violência política contra as comunidades indígenas, especialmente os Guarani e Kaiowá, se agravou após as eleições do dia 25. Uma ameaça de envenenamento da água da aldeia Yvu Verá 2, em Dourados, elevou o nível de alerta, levando à intervenção da Força Nacional na região.

O cacique Nestor expressou sua preocupação, afirmando que as ameaças se intensificaram após a vitória do presidente Lula. Ele denunciou que há tentativas de envenenar a água consumida pela comunidade, um fato que gerou um clima de medo e insegurança entre os moradores.

O temor se intensificou após a divulgação de áudios entre moradores, onde um homem se referia de forma hostil aos indígenas que votaram no PT, chamando-os de “desgraçados” e sugerindo que deveriam ser eliminados com veneno na água.

Segundo o cacique, as ameaças são recorrentes e têm origem em grupos bolsonaristas, agropecuaristas e até mesmo na polícia. A violência contra os indígenas na região não é um fenômeno recente, mas a atual conjuntura política exacerbou os ataques e a hostilidade.

Uma das vozes identificadas nas gravações é de um servidor da prefeitura de Tacuru, município próximo a Dourados. A prefeitura afirmou que está tomando as medidas necessárias e que os funcionários envolvidos foram afastados, garantindo que não têm relação com o abastecimento de água.

Abastecimento precário

A aldeia Tekoha Yvu Verá 2 foi formada há quatro anos, e os Guarani e Kaiowá reivindicam que o território é tradicionalmente seu. A lentidão do governo em demarcar a terra levou à retomada da área, onde vivem 46 famílias em condições precárias.

A única caixa d’água da aldeia, com capacidade de 1,5 mil litros, é abastecida semanalmente por um caminhão-pipa, e a água é distribuída entre os moradores. O cacique Nestor revelou que agora há receio em consumir essa água, devido às ameaças de envenenamento.

Como alternativa, a comunidade considera voltar a utilizar a água de um córrego próximo, mas há preocupações com a contaminação, já que o consumo anterior dessa água resultou em problemas de saúde, como dores de estômago e diarreia.

Situação recorrente

A violência enfrentada pelos indígenas de Mato Grosso do Sul após a reeleição de Lula não é um caso isolado. O estado possui uma das maiores populações indígenas do Brasil, e os Guarani e Kaiowá têm lidado com a violência relacionada à disputa por terras por décadas. O ambiente político recente adicionou uma nova dimensão a essa problemática.

Antes mesmo das eleições, os indígenas já enfrentavam hostilidade de milícias rurais que se identificam com o bolsonarismo, criando um clima de medo e repressão. Durante o período eleitoral, relatos de discursos de ódio contra comunidades indígenas se tornaram mais frequentes, com algumas pessoas defendendo que esses grupos perdessem acesso a serviços básicos por conta de suas escolhas políticas.

A ameaça de envenenamento da água é especialmente significativa para os Guarani e Kaiowá, que já enfrentaram problemas de contaminação em outras ocasiões. Em 2012, a aldeia Ypo’i denunciou a poluição de um córrego, levando o Ministério Público a intervir para garantir o abastecimento de água potável.

Além disso, há registros de pulverização de agrotóxicos nas proximidades das aldeias, uma tática utilizada para intimidar e comprometer a sobrevivência da comunidade, conforme relatado por líderes locais.

Essas ameaças não se limitam a discursos de ódio; o envenenamento da água representa uma forma concreta de violência contra o povo indígena, conforme analisa um representante do Conselho Indigenista Missionário.

Décadas de espera

A aldeia Yvu Verá 2 é uma das treze áreas recentemente retomadas pelos Guarani e Kaiowá, localizadas nas imediações da Reserva Indígena de Dourados. A reserva, demarcada em 1917, possui apenas 24 quilômetros quadrados, insuficientes para abrigar mais de 13 mil indígenas que reivindicam o território

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *