Um terço da frota mundial de navios se torna dependente de empresa norueguesa que escolhe Alicante para expansão global

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Kongsberg: A gigante da navegação que transforma Alicante em um centro estratégico global.

No mundo da navegação, a Kongsberg, um conglomerado norueguês, desempenha um papel crucial, garantindo que um terço da frota mundial opere com segurança. A empresa, controlada majoritariamente pelo Estado norueguês, escolheu a província de Alicante como um ponto estratégico em sua operação global.

Atualmente, mais de 30 mil navios navegam com a ajuda de sistemas geridos a partir de escritórios localizados entre La Vila Joiosa e o centro empresarial NOBO, na capital Alicante. Essa presença não apenas fortalece a indústria local, mas também posiciona Alicante como um hub tecnológico marítimo.

Separação estratégica para conquistar o mercado de ações

Recentemente, a Kongsberg anunciou uma separação interna que promete transformar sua estrutura organizacional. A divisão ocorrerá entre a Kongsberg Defesa e “Descoberta”, e a Kongsberg Maritime, que se concentrará nos sistemas de navegação. A nova entidade começará a negociar separadamente na Bolsa de Valores de Oslo em abril de 2026.

Essa mudança é respaldada por resultados financeiros robustos na Espanha. A subsidiária espanhola reportou um faturamento de 31,7 milhões de euros em 2024, com lucros superiores a cinco milhões. A futura CEO da Kongsberg Maritime, Lisa Edvardsen Haugan, expressou otimismo sobre a posição da empresa para criar valor no setor marítimo global.

Por que Alicante?

A escolha de Alicante como sede é resultado de uma combinação de fatores estratégicos e humanos. Em 1995, a empresa buscava uma localização na Espanha e, apesar de outras cidades como Vigo e Barcelona parecerem opções viáveis, a decisão recaiu sobre Alicante devido à presença de uma colônia norueguesa estabelecida na região.

O que começou como uma pequena delegação para o setor pesqueiro, conhecida como Simrad Espanha, evoluiu consideravelmente após a aquisição da divisão marítima da Rolls-Royce. A mudança para o centro empresarial NOBO reflete a necessidade de atrair talentos e melhorar as condições de trabalho, visando reter engenheiros e programadores, além de reduzir as emissões de carbono associadas ao deslocamento dos colaboradores.

O cérebro do barco autônomo

Alicante não é apenas um escritório administrativo, mas sim um dos três centros de recursos globais da Kongsberg, ao lado da Polônia e Noruega. Essa localização estratégica permite que a empresa preste serviços a navios em todo o mundo.

A autonomia naval, embora não nova, alcançou um ponto de maturidade tecnológica. A Kongsberg desenvolve sistemas de Posicionamento Dinâmico (DPS) há 40 anos, permitindo que navios mantenham posição sem âncoras. Essa tecnologia se tornou essencial para a operação de embarcações modernas.

  • Yara Birkeland: O primeiro navio porta-contentores totalmente elétrico e autônomo do mundo, desenvolvido pela Kongsberg em parceria com a YARA, é um exemplo de inovação na indústria.
  • Reach Remote: Uma série de embarcações não tripuladas que podem ser controladas a partir de um centro remoto, permitindo que um capitão gerencie várias embarcações simultaneamente.
  • A “Joia da Coroa”: O sistema DPS é fundamental para a operação segura de plataformas de petróleo e navios de resgate em alto mar.

Futuro

O futuro da navegação está se direcionando para motores elétricos que geram energia a partir da rotação das hélices. Para lidar com o fluxo complexo de dados, a Kongsberg lançou o Kognifai, uma plataforma de Inteligência Artificial que otimiza a operação dos navios.

Apesar do avanço tecnológico, o maior desafio atualmente reside nas questões legislativas. A regulamentação para navios autônomos ainda está em desenvolvimento, e a Organização Marítima Internacional (OMI) precisa estabelecer diretrizes claras para a operação dessas embarcações sem tripulação.

O que começou em 1995 como um escritório de pesca em La Vila se transformou, em 2026, no centro de comando que molda o futuro do comércio marítimo global, unindo Noruega e Alicante em uma parceria estratégica.

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