Gabrielli propõe ajuste progressivo sem medidas de austeridade

Compartilhe essa Informação

Gabrielli propõe ajuste fiscal sem austeridade para reduzir juros no Brasil.

O coordenador do programa de governo da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma abordagem que visa a redução da taxa de juros através de um ajuste progressivo nas contas públicas, evitando medidas de austeridade que possam prejudicar os eleitores.

Em um artigo divulgado nesta segunda-feira, o coordenador expressou preocupação com a atual situação fiscal do Brasil, especialmente em relação à política fiscal que será adotada no próximo governo. O documento, intitulado “Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027”, argumenta que não existe uma relação direta entre o resultado primário e a taxa de juros na economia brasileira, sugerindo que aumentar o superávit primário não é a solução mais eficaz para a redução dos juros.

Gabrielli, que presidiu a Petrobras de 2005 a 2012, observou que, após a reeleição de Lula, parece haver uma maior diversidade de pensamentos econômicos, o que pode abrir espaço para novas abordagens.

Dívida em alta

O mercado financeiro está preocupado com o aumento da dívida pública, que atingiu 82,9% do PIB em setembro, um crescimento significativo desde o início do terceiro mandato de Lula. Essa situação gera apreensão sobre a sustentabilidade fiscal do país.

Recentemente, Gabrielli classificou a ideia de uma crise fiscal no Brasil como “fake news” e minimizou os riscos, afirmando que a dívida líquida, que inclui ativos financeiros, está em 69,3% do PIB. Ele ressaltou que a maior parte da dívida está em moeda nacional e que as reservas cambiais do país são robustas, o que diminui o risco de insolvência.

Menção a Lara Resende

O coordenador também destacou que a alta taxa de juros é um fator crucial para o aumento da dívida pública. Ele apoiou uma proposta do economista André Lara Resende, que sugere a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com o objetivo de estabelecer metas conjuntas para a política fiscal e monetária por um período de quatro a cinco anos.

A proposta inclui a redução gradual da Selic para cerca de 7,5% ao ano, seguida por uma manutenção em uma faixa de 3% a 5,5% ao ano, alinhada com as metas de inflação e o crescimento econômico. Essa mudança exigiria uma reformulação na forma como o Banco Central define a taxa Selic, o que gerou reações adversas no mercado financeiro.

Inflação e juros

Atualmente, o Brasil enfrenta uma das maiores taxas de juros do mundo, o que encarece financiamentos e aumenta o endividamento tanto de pessoas quanto de empresas. O Banco Central mantém essa taxa elevada como uma medida para conter a inflação, que é influenciada por fatores externos, como os preços do petróleo, e internos, como problemas de oferta e aumento dos gastos públicos.

Gabrielli argumentou que a memória de uma inflação alta no Brasil levou a uma estrutura econômica avessa ao risco inflacionário, resultando em respostas automáticas a pressões de preços, mesmo que temporárias. Ele identificou fatores externos, como a instabilidade geopolítica, como os principais motores da inflação atual, sem evidências de que a demanda excessiva seja uma preocupação relevante no momento.

Em relação à queda da Bolsa após a reeleição de Lula, Gabrielli observou que a reação do mercado foi influenciada pela surpresa com o resultado e pela falta de promessas claras de ajuste fiscal no discurso do presidente eleito, o que levou à necessidade de reavaliação dos portfólios financeiros.

Políticas sociais

O coordenador enfatizou que quaisquer cortes de despesas devem ser realizados sem comprometer o salário mínimo real ou o acesso a programas sociais essenciais, como o BPC e o Bolsa Família. Ele defendeu uma revisão de privilégios e uma melhor qualidade nos gastos públicos, sugerindo a análise de benefícios tributários ineficientes e a recuperação de créditos tributários de grandes contribuintes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *