Compras agrícolas da China nos EUA atingem menor nível em sete anos apesar de acordo comercial

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China é o principal destino da soja exportada de Mato Grosso, mas compras de produtos agrícolas americanos caem.

Mais de 60% do volume de soja exportado de Mato Grosso tem como destino a China, refletindo a importância desse mercado para os produtores brasileiros.

As importações chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos, excluindo a soja, estão em um patamar baixo, o menor em sete anos. Entre janeiro e setembro, as compras da China somaram US$ 7,2 bilhões em diversos produtos, como carnes e milho, um valor que não era visto desde 2019.

É incerto se a China está descumprindo acordos comerciais, pois o governo dos EUA não esclareceu se os prazos para as metas de compras começaram a contar após um anúncio recente ou se dependem da conclusão de cortes tarifários que ainda não foram implementados.

A redução nas compras gera incertezas sobre a recuperação das importações ainda neste ano e preocupa os agricultores americanos, que enfrentam também o aumento nos preços dos combustíveis.

A situação se torna ainda mais crítica em um contexto político, com as eleições de meio de mandato se aproximando. Os democratas buscam conquistar votos em regiões agrícolas que historicamente apoiam o Partido Republicano.

“Nossos produtores são patriotas, mas há muitos silos cheios de grãos e, certamente, uma vontade de ver esse comércio acontecer”, destacou um representante do setor agrícola.

O Departamento de Agricultura dos EUA está em busca de esclarecimentos sobre como será calculada a meta de compras para 2026, mas até o momento, não houve retorno dos órgãos responsáveis.

Demanda fraca e concorrência dificultam exportações dos EUA

Analistas acreditam que, mesmo com um eventual aumento nas compras, será desafiador atingir as metas estabelecidas devido à fraca demanda na China e à concorrência de outros fornecedores. Para que isso ocorra, a China pode precisar mobilizar suas empresas estatais.

O milho é um exemplo claro dessa situação. Em 2021, a China importou uma quantidade significativa do grão americano, mas atualmente, a competitividade do milho dos EUA está comprometida devido à grande oferta interna.

As exportações de sorgo dos EUA para a China também estão em declínio, enfrentando a concorrência do Brasil, que recentemente ganhou acesso ao mercado chinês.

Até o final de agosto, os EUA exportaram cerca de 3,7 milhões de toneladas de sorgo à China, mas esse volume foi superado pelo Brasil, que já enviou 1,7 milhão de toneladas neste ano.

As carnes americanas também enfrentam desafios. A China possui uma oferta abundante de carne suína e de frango, e a carne bovina dos EUA está se tornando mais cara devido à diminuição dos rebanhos. Além disso, barreiras regulatórias ainda dificultam a exportação de carne bovina para o país asiático.

Diante dessas dificuldades, especialistas sugerem que a China pode precisar recorrer a empresas estatais para atingir suas metas de importação, especialmente em relação à soja.

“Muito disso parece depender de até que ponto a China recorrerá às empresas estatais para fazer essas compras”, afirmaram especialistas do setor.

Concluindo, é evidente que a meta de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas americanos será difícil de alcançar sem intervenções específicas no mercado.

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