Kongo Gumi, a empresa mais antiga do mundo, opera no Japão há 1.400 anos

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A tradição e a modernidade no Japão: a história da Kongō Gumi

Todos os países moldam seu presente a partir de suas histórias passadas. O conceito de “tradição” não é apenas uma continuidade de costumes e práticas ancestrais, mas sim uma construção social — um conjunto de narrativas que sustentam uma cultura coletiva.

Na tradição inventada de cada sociedade, misturam-se lendas e realidades. Elementos que definiram a história de um povo coexistem com trivialidades, como o tiramisu, uma sobremesa que, embora hoje simbolize a “italianidade”, foi criada apenas na década de 1960. Essa fusão entre o antigo e o novo é evidente em diversas culturas, mas algumas nações, como o Japão, preservam suas tradições de maneira especialmente rigorosa.

O Japão se destaca por unir um profundo respeito por suas tradições milenares a um avanço tecnológico sem precedentes. O país abriga linhagens reais que datam de mais de três mil anos, mantendo-se inalteradas ao lado de inovações, como trens de alta velocidade.

Essa combinação de tradição e modernidade torna o Japão um caso único, repleto de particularidades que são admiradas, mas muitas vezes pouco compreendidas. O artesanato japonês, por exemplo, mantém técnicas que desafiam a lógica da produção em massa, preservando métodos que têm se transmitido por gerações.

A sensibilidade estética da cultura japonesa valoriza o imperfeito e o irregular, um contraste com a visão ocidental que tende a priorizar a perfeição. Essa apreciação pelo que é tradicional e imperfeito é crucial para entender a longevidade da Kongō Gumi, a empresa mais antiga do mundo.

1.400 anos de história

A Kongō Gumi foi fundada em 578, em um período marcado por eventos significativos, como o apogeu do Império Maia e a desintegração do Império Romano do Ocidente. O mundo era muito diferente, mas a constante era a busca por significado e continuidade.

A empresa surgiu em um momento decisivo para o Japão, com a introdução do budismo, que rapidamente se entrelaçou com o xintoísmo, a religião nativa. Essa fusão resultou em uma rica tapeçaria de ritos e costumes que perduram até hoje.

O budismo despertou grande interesse entre as classes abastadas, levando Shōtoku Taishi a encomendar a construção do Shitennō-ji, o primeiro templo budista do Japão. Diante da escassez de carpinteiros qualificados, Taishi contratou um grupo de construtores coreanos, dando origem à Kongō Gumi.

Nos séculos seguintes, a empresa prosperou, focando na manutenção do Shitennō-ji e aproveitando a expansão do budismo pelo Japão para se estabelecer como uma referência no setor. Com a construção de templos como Hōryū-ji e Koyasan, a Kongō Gumi consolidou sua posição no mercado, garantindo trabalho por séculos.

Além de templos, a empresa se adaptou ao longo do tempo, diversificando suas atividades para incluir a restauração de edifícios civis. Essa flexibilidade foi essencial para sua sobrevivência, mesmo diante de desafios como o fechamento do Japão durante o xogunato Tokugawa.

Apesar das dificuldades enfrentadas durante as reformas da dinastia Meiji, que buscavam modernizar o Japão e enfraquecer o budismo, a Kongō Gumi se manteve ativa, superando adversidades ao longo de sua longa história.

A queda e a ressurreição

A empresa continuou operando durante os anos turbulentos do século XX, incluindo a Segunda Guerra Mundial e a rápida ascensão econômica do Japão. Mesmo após a rendição do país, a Kongō Gumi se manteve fiel às suas raízes, continuando a construir e restaurar templos com técnicas tradicionais.

No entanto, a bolha imobiliária dos anos 1980 trouxe desafios financeiros, levando a empresa a contrair dívidas significativas. Com o colapso econômico de 1989, a Kongō Gumi, assim como muitas outras, viu suas dificuldades financeiras se agravarem.

Apesar de sobreviver à “década perdida”, a empresa fechou suas portas em 2006, após 1.428 anos de atividade, devido a dívidas acumuladas. No entanto, sua história não terminou ali.

O Takamatsu Construction

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