Camada de ozônio apresenta deterioração inesperada em 2026, mas processo de recuperação avança
Buraco na camada de ozônio sobre a Antártida alcança dimensões alarmantes em 2026.
O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida atingiu uma das maiores extensões dos últimos 48 anos, conforme dados recentes. O fenômeno, que foi monitorado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e pela NASA, apresentou a sétima maior extensão média desde o início do acompanhamento em 1979.
Esse crescimento foi impulsionado por condições meteorológicas atípicas e um vórtice polar intensificado. Entre 7 de setembro e 13 de outubro, a área média do buraco alcançou cerca de 25 milhões de quilômetros quadrados, o que equivale a mais do que o dobro do território dos Estados Unidos.
Apesar do tamanho expressivo, especialistas afirmam que a camada de ozônio está em um caminho de recuperação. A diminuição de substâncias químicas nocivas, resultado de acordos internacionais, tem sido fundamental para impedir que o buraco crescesse ainda mais.
Buraco atingiu tamanho máximo em setembro
O maior tamanho registrado em 2026 ocorreu em 18 de setembro, quando o buraco alcançou aproximadamente 27,1 milhões de quilômetros quadrados. Essa dimensão representa cerca de 90% do maior buraco já observado, que foi registrado em 9 de setembro de 2000.
Um especialista em ozônio destacou que, nos últimos anos, o fenômeno tende a surgir mais tarde na temporada, indicando que a camada protetora pode estar se recuperando. No entanto, em 2026, um vórtice polar excepcionalmente forte prolongou a destruição do ozônio na Antártida, permitindo que o buraco atingisse dimensões não vistas na última década.
O que fez o buraco crescer?
- O principal fator foi o comportamento do vórtice polar, uma corrente de ventos que circula a Antártida e mantém o ar frio concentrado na região;
- Em 2026, os sistemas meteorológicos que normalmente ajudam a enfraquecer essa estrutura foram particularmente fracos durante agosto e setembro;
- Os ventos mais intensos do vórtice permaneceram afastados do Polo Sul, criando condições favoráveis à destruição do ozônio;
- Além disso, a presença de substâncias químicas produzidas pela atividade humana, como compostos de cloro e bromo, contribui para o processo de destruição do ozônio nas nuvens estratosféricas polares.
Camada de ozônio poderia ter sido ainda mais afetada
Embora a extensão do buraco em 2026 tenha sido elevada, a destruição do ozônio não foi tão intensa quanto a observada em anos anteriores. Especialistas estimam que, se as concentrações de substâncias destrutivas ainda estivessem nos níveis do ano 2000, o buraco poderia ter sido substancialmente maior.
A redução do uso de compostos prejudiciais à camada de ozônio, impulsionada por esforços internacionais, é um fator crucial para essa diferença. O Protocolo de Montreal, assinado em 1987, foi um dos principais instrumentos para essa mudança.
Desde os níveis máximos da década de 1980, a concentração de cloro na estratosfera antártica caiu cerca de um terço, segundo especialistas da NOAA.
Como os cientistas monitoram o ozônio?
O monitoramento da camada de ozônio combina medições diretas na atmosfera com observações por satélite. Na Antártida, pesquisadores utilizam instrumentos transportados por balões meteorológicos e espectrofotômetros de ozônio para medir a concentração do gás em diferentes altitudes.
Em 2026, as medições sobre o Polo Sul mostraram que a concentração de ozônio atingiu seu menor valor anual em 17 de outubro, com 105 unidades Dobson. Essa unidade mede a quantidade de ozônio em uma coluna da atmosfera, onde cem unidades equivalem a uma camada de gás de aproximadamente um milímetro de espessura.
O menor valor já registrado sobre o Polo Sul foi de 92 unidades Dobson, em outubro de 2006. Satélites, como os da NASA e da NOAA, têm sido fundamentais para o acompanhamento das mudanças desde 1979.
Recuperação deve continuar nas próximas décadas
Apesar do crescimento do buraco em