Pesquisa da USP revela que novo inimigo das células cancerígenas pode estar no pomar da avó

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Fibras de pitanga e cambuci mostram potencial promissor na luta contra o câncer colorretal

O câncer colorretal é uma das principais preocupações da saúde pública, sendo o segundo tipo mais comum no Brasil e responsável por um elevado número de mortes anualmente. O combate a essa doença exige pesquisas constantes em busca de novos tratamentos e terapias. Recentemente, um estudo inicial da Universidade de São Paulo (USP) trouxe à tona resultados promissores ao investigar fibras extraídas de frutas nativas brasileiras, como a pitanga e o cambuci.

A pesquisa, parte de um projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos Funcionais, coordenada pelo professor João Paulo Fabi, focou na extração de fibras solúveis, especialmente as pectinas, presentes na polpa dessas frutas. Essas substâncias vegetais são conhecidas por sua capacidade de manter a firmeza dos frutos e desempenham um papel importante na estrutura das plantas.

Os pesquisadores isolaram as fibras, separando-as de outros compostos, como fenólicos e carotenoides, para entender melhor sua ação sobre as células cancerígenas. Os testes realizados em laboratório com diferentes concentrações de fibras mostraram resultados significativos, evidenciando uma redução na viabilidade das células de câncer colorretal:

  • Pitanga: redução de 20% a 90% na viabilidade celular;
  • Cambuci: diminuição de 20% a 60%.

Os dados indicam que, no caso da pitanga, concentrações mais altas de fibras e períodos prolongados de exposição resultaram em uma diminuição mais acentuada da viabilidade celular. O cambuci, embora também tenha apresentado efeitos positivos, não demonstrou uma relação direta entre a dose e a resposta observada.

Além disso, as amostras foram comparadas a pectinas cítricas integrais, que não mostraram o mesmo efeito, sugerindo que as características específicas das fibras das frutas são fundamentais para a ação observada. Contudo, é importante ressaltar que esses resultados são preliminares e foram obtidos apenas em culturas celulares, não havendo evidências concretas de que o consumo das frutas possa prevenir ou tratar o câncer.

Os cientistas estão agora interessados em aprofundar a investigação sobre como essas fibras atuam nas células cancerígenas. Uma das hipóteses é que elas possam induzir a apoptose, ou morte celular programada, ou ainda interferir no ciclo celular, inibindo a multiplicação das células malignas. A equipe planeja avançar para testes pré-clínicos, que incluirão experimentos em animais nos próximos dois a três anos.

Outro aspecto a ser explorado é a relação das fibras com a microbiota intestinal, que desempenha um papel crucial na digestão e na saúde geral do organismo. A pesquisa busca entender como a composição das fibras influencia sua fermentação pelas bactérias intestinais, com a inclusão da uvaia, outra fruta nativa, nas próximas etapas do estudo.

Além das implicações para o câncer, o projeto visa encontrar novas formas de aproveitar a biodiversidade brasileira na indústria alimentícia. Pitanga e cambuci, que exigem cuidados especiais após a colheita, podem ser utilizados em produtos como polpas e sucos. Com o avanço das pesquisas, técnicas de secagem e extração poderão abrir novas possibilidades para a utilização de suas fibras e outros componentes na produção de ingredientes alimentícios.

Embora a ação das fibras contra células cancerígenas ainda seja uma hipótese em investigação, o estudo destaca o potencial das frutas brasileiras, frequentemente subestimadas, como fontes de propriedades valiosas para a ciência e a saúde.

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