Vereadores da oposição em Caxias do Sul anunciam CPI das Contas Públicas

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Oposição de Caxias do Sul forma CPI para investigar contas públicas municipais.

Dez vereadores da oposição em Caxias do Sul anunciaram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar as contas públicas do município. A proposta, apresentada na Câmara de Vereadores, dará início à análise pela Parceria Público-Privada (PPP) da Educação Infantil, abrangendo também contratos e despesas em áreas como saúde, assistência social, habitação, Codeca e a Festa Nacional da Uva.

A iniciativa foi impulsionada pela saída do vereador Alexandre Bortoluz, conhecido como Bortola, da base do governo municipal. Em uma sessão anterior, ele manifestou apoio à criação da CPI, que está sendo articulada pela vereadora Sandra Bonetto.

Inicialmente, a bancada do PT defendia uma investigação focada exclusivamente na PPP da Educação Infantil. Contudo, a proposta evoluiu para incluir a análise da gestão dos recursos municipais de forma mais ampla, unindo parlamentares de diferentes partidos da oposição.

Durante o anúncio da CPI, Bonetto destacou a importância de entender como o Executivo gerencia o orçamento e por que, apesar de uma arrecadação significativa, há escassez de recursos para atender as demandas da população. Ela enfatizou a necessidade de que a investigação seja ágil, mas realizada com rigor na análise dos documentos.

“A gente tem pressa, sim, para investigar. Mas, quando estivermos debruçados em cima de planilhas e papéis, não vamos ter pressa. Muito pelo contrário, vamos ser categóricos e investigar com seriedade”, afirmou.

PPP da Educação será o primeiro foco

A Parceria Público-Privada da Educação Infantil será o ponto de partida da investigação. O contrato estabelece pagamentos mensais de R$ 6,6 milhões à concessionária. Estudos indicam que essa parceria pode resultar em um déficit de R$ 1,5 bilhão para os cofres públicos ao longo de 25 anos.

Os vereadores planejam examinar a estrutura do contrato, os valores envolvidos, as obrigações do município e os impactos financeiros nos orçamentos futuros. A bancada do PT já questionava a parceria desde 2023, apontando que houve manifestações técnicas contrárias durante sua tramitação.

A vereadora Rose Frigeri ressaltou que a magnitude financeira e o prazo da parceria justificam uma análise detalhada. Com a proposta ampliada por Sandra Bonetto, os parlamentares decidiram unir esforços para a investigação.

Investigação poderá alcançar Saúde, Habitação e Festa da Uva

Embora a PPP seja o foco inicial, a CPI também investigará contratos e compromissos financeiros em outras áreas, incluindo saúde, assistência social, habitação, Codeca e a Festa Nacional da Uva.

“São contratos que nos chamam a atenção. A gente não pode afirmar com tanta categoria, mas vai estar investigando um a um”, declarou Sandra Bonetto.

A vereadora convidou a população a enviar informações que possam auxiliar na fiscalização. O vereador Bortola enfatizou a importância da CPI em esclarecer a aplicação dos recursos públicos, mencionando relatos de cidadãos sobre a falta de dinheiro para serviços essenciais e atrasos em pagamentos.

A vereadora Andressa Marques relacionou a CPI a questionamentos sobre o planejamento orçamentário, observando que emendas e previsões de destinação de recursos não teriam sido cumpridas conforme o esperado. Ela também destacou as dificuldades enfrentadas pela Codeca e a necessidade de esclarecer a diferença entre os valores orçados e as despesas executadas.

Daiane Mello enfatizou a transparência como motivação central da proposta, defendendo a análise dos contratos e a verificação da aplicação dos recursos públicos, especialmente na PPP da Educação Infantil.

O vereador Capitão Ramon mencionou a necessidade de fiscalização em obras municipais e seus custos, questionando a relação entre o superávit divulgado pela Prefeitura e as dificuldades enfrentadas nos serviços públicos.

Hiago Morandi apontou para a necessidade de mais eficiência e transparência na gestão dos recursos, enquanto Lucas Caregnato defendeu que os trabalhos da CPI sejam baseados em análises técnicas e respeitem o rito de instalação.

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