França suspende importação de frutas da América do Sul com agrotóxicos proibidos na Europa
França proíbe importação de frutas da América do Sul com agrotóxicos proibidos
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou a renúncia ao cargo e, ao mesmo tempo, a decisão de proibir a importação de frutas da América do Sul que apresentem resíduos de cinco agrotóxicos banidos na Europa. A medida foi divulgada durante uma declaração no Hotel Matignon, em Paris, no dia 6 de outubro de 2025.
A proibição abrange substâncias como mancozeb, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. A ministra da Agricultura, Annie Genevard, enfatizou a necessidade de proteger a saúde pública e a qualidade dos alimentos consumidos na França, afirmando que não se pode aceitar a presença de produtos que contenham substâncias proibidas.
“Tomei a decisão de suspender a entrada em nosso território de gêneros alimentícios que contenham resíduos de várias substâncias proibidas na Europa”, declarou Genevard.
A ministra acrescentou que a medida é uma questão de bom senso e visa garantir a segurança alimentar dos franceses. O governo francês ressaltou que o registro de agrotóxicos não implica necessariamente em seu uso, especialmente quando a produção é voltada para mercados externos com exigências específicas.
Em breve, uma ordem formal será emitida pela ministra da Agricultura, detalhando as frutas que não poderão mais ser importadas. Lecornu destacou que abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas, uvas e maçãs oriundas da América do Sul estão entre os produtos que serão afetados pela nova regulamentação.
“Uma brigada especializada realizará verificações reforçadas para garantir o cumprimento das nossas normas sanitárias”, completou o primeiro-ministro.
Essa decisão é vista como um passo importante para proteger as cadeias de suprimentos e os consumidores franceses, além de combater a concorrência desleal enfrentada pelos agricultores locais.
Impacto nas exportações brasileiras
A União Europeia é o principal destino das exportações de frutas do Brasil, mas a participação da França nesse mercado é relativamente baixa. Entre janeiro e novembro de 2025, a UE adquiriu 58,7% do volume total de frutas exportadas pelo Brasil, enquanto a França respondeu por apenas 0,6% desse total.
Apesar da baixa representatividade, as exportações brasileiras para a França aumentaram significativamente no último ano, com um crescimento de 42,4% em volume e 53% em valor em comparação ao mesmo período de 2024. As frutas mais exportadas para a França incluem goiabas, mangas e abacates.
Embora a França tenha se tornado a terceira maior compradora de goiabas brasileiras, sua participação nas exportações de outros produtos como manga, laranja, limão, uva e maçã é inferior a 1%.
Pressão dos agricultores franceses
A proibição ocorre em um contexto de pressão crescente de agricultores franceses, que têm se oposto ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul, programado para ser assinado em dezembro de 2025. As preocupações giram em torno do impacto negativo que o tratado poderia ter sobre a agricultura local, especialmente nos setores de carne bovina, aves, açúcar e soja.
A pressão da França, apoiada por outros países, resultou no adiamento da assinatura do acordo para janeiro de 2026. Agricultores têm realizado protestos contra o governo e a União Europeia, denunciando o tratado como prejudicial aos interesses agrícolas europeus.
Recentemente, manifestantes colocaram um caixão com a mensagem “Não ao Mercosul” em frente à residência do presidente francês, enquanto outros protestos ocorreram em Bruxelas, durante uma cúpula da União Europeia.
