Manifestantes invadem prefeitura de Caxias do Sul em protesto contra respostas insatisfatórias sobre crise na assistência social
Manifestação em Caxias do Sul clama por soluções na assistência social.
A crise financeira na assistência social de Caxias do Sul levou a uma manifestação no Centro Administrativo, na tarde da última sexta-feira. Representantes de entidades, trabalhadores e usuários dos serviços se reuniram para cobrar do prefeito respostas sobre os atrasos nos repasses, a redução das equipes e as mudanças no funcionamento dos atendimentos.
Após uma reunião pública na Câmara de Vereadores, o grupo decidiu se deslocar até a Prefeitura. Embora uma nova reunião com o prefeito esteja agendada para a próxima sexta-feira, os manifestantes enfatizaram a urgência de medidas imediatas para resolver a situação.
Durante o protesto, os participantes ocuparam o gabinete do prefeito, utilizando cartazes, apitos e buzinas. Eles entoaram frases de ordem como “Prefeito, cadê você?”, “Corta os CCs”, “Queremos nosso dinheiro” e “Sai da toca, Tatu”, exigindo uma audiência com o chefe do Executivo e medidas para evitar novos danos aos serviços prestados à população.
O chefe da Casa Civil, João Uez, recebeu os manifestantes, já que o prefeito não estava presente no momento. Uez ouviu as preocupações sobre a continuidade dos serviços e as condições de trabalho das equipes, destacando que ainda estava se familiarizando com a situação, uma vez que havia assumido o cargo recentemente.
Entre as principais demandas estão a regularização dos repasses financeiros às Organizações da Sociedade Civil (OSCs), a recomposição das equipes, a manutenção dos horários de atendimento e esclarecimentos sobre a transferência de serviços para a administração direta da Prefeitura, enquanto não são realizados novos chamamentos públicos.
Uez assegurou que o prefeito participaria da reunião agendada para a próxima sexta-feira, demonstrando a intenção de buscar soluções para os problemas apresentados.
Antes da manifestação, as entidades participaram de uma reunião pública na Câmara para discutir a crise financeira da assistência social, que contou com a presença de diversas autoridades e representantes do setor. O secretário municipal de Assistência Social e Cidadania, Mauro Trojan, abordou a situação dos repasses, confirmando que a Prefeitura quitou R$ 3 milhões em outubro, mas ainda possui aproximadamente R$ 3,5 milhões pendentes, com previsão de regularização até o final do ano.
Trojan reconheceu os atrasos e informou que algumas organizações estão utilizando recursos destinados a outras despesas para manter os serviços em funcionamento. Ele também comentou sobre a transição da Fundação de Assistência Social (FAS) para a nova secretaria, que impactou a folha de pagamento dos servidores.
A redução de equipes e horários de atendimento também foi um ponto discutido, com a Prefeitura justificando essas mudanças pela crise financeira e a necessidade de ajustes nas contas públicas. O secretário afirmou que, apesar dos cortes, todos os serviços continuariam operando, embora tenha admitido que a convocação de novos profissionais ainda não foi autorizada.
Outro tema abordado foi a suspensão do cartão-alimentação, que está interrompido desde setembro devido a problemas com a empresa responsável. A previsão é de que o benefício retorne em 2027, sem pagamento retroativo.
Os vereadores presentes na reunião expressaram suas preocupações sobre a situação da assistência social, questionando a destinação de recursos e a participação do prefeito nas discussões. A ausência do chefe do Executivo e de representantes da área financeira foi criticada, com a expectativa de que decisões sobre recursos sejam tomadas em conjunto com as entidades envolvidas.