Escolas dos EUA enfrentam dilema entre aceitar resumos gerados por IA ou abrir mão de mecanismo de busca do Google

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Polêmica nos EUA sobre mudanças do Google em IA nas escolas gera debates acalorados.

Recentemente, a decisão do Google de desativar suas ferramentas de inteligência artificial para contas de estudantes da educação básica nos Estados Unidos gerou controvérsia. A medida, que entrará em vigor no próximo ano, levanta preocupações entre educadores e administradores escolares, já que as instituições que optarem por não utilizar a IA também perderão o acesso ao Google Search.

Os Chromebooks, dispositivos amplamente utilizados nas salas de aula americanas, e a plataforma Classroom, que conta com mais de 150 milhões de usuários em todo o mundo, são fundamentais para o ambiente escolar. Contudo, o debate sobre o uso de IA nas escolas se intensificou, com alguns distritos propondo a proibição desse tipo de tecnologia. A situação apresenta um dilema: aceitar os resumos gerados por IA ou abrir mão do mecanismo de busca do Google.

Em um comunicado recente, a empresa anunciou que ferramentas como Gemini, Gemini Notebook e Google Search ficariam desativadas por padrão para contas de estudantes do K-12, até que administradores escolares decidissem ativá-las. O Google argumenta que essa mudança oferece mais opções às escolas e atende a pedidos de professores que desejam maior controle sobre o uso da IA por seus alunos.

O problema

Um dos principais desafios é a falta de um botão específico para desativar os resumos gerados por IA, que aparecem no topo dos resultados de busca. Chris Phillips, vice-presidente de educação do Google, destacou que a integração entre busca e IA é profunda. Escolas que rejeitarem a IA não terão acesso às buscas, e os alunos receberão uma mensagem informando que o serviço está indisponível. As alterações estão programadas para serem implementadas no início de 2027, com mais detalhes a serem compartilhados com as instituições educacionais nos próximos meses.

Anteriormente, o Google havia ativado os recursos do Gemini nas escolas que permitiam o uso do chatbot, mas essa decisão gerou descontentamento entre alguns dirigentes escolares. Agora, a empresa está revertendo essa configuração padrão.

Educadores expressam preocupações de que os resumos gerados por IA podem desencorajar os alunos a comparar fontes e desenvolver suas próprias conclusões. Um administrador escolar mencionou que os estudantes devem ter a oportunidade de examinar fontes antes de se basearem em sínteses geradas por IA. Um estudo da Universidade de Washington em St. Louis revelou que apenas 42% dos resumos de IA eram totalmente verificáveis por meio de suas próprias citações. O Google, por sua vez, afirma que os resumos passam por testes rigorosos e estão em constante aprimoramento.

O Google também está integrando sua função de Aprendizagem Guiada à Busca e aos Resumos de IA para as contas de estudantes. O objetivo é guiar os alunos na resolução de problemas de forma passo a passo, ao invés de fornecer respostas rápidas, promovendo assim um “esforço produtivo”. Um projeto-piloto está previsto para ser realizado em algumas escolas dos EUA neste mês, com expansão planejada para os próximos meses.

Reação política

A decisão do Google gerou reações entre figuras políticas. O senador Bernie Sanders chamou a medida de “extorsão”, enquanto Richard Blumenthal criticou a empresa por priorizar a implementação do Gemini em detrimento do sucesso dos estudantes. Lina Khan, ex-presidente da FTC, argumentou que o Google estaria utilizando seu monopólio para coagir as escolas, e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou que nenhuma corporação deveria ter o poder de ditar como as crianças são educadas.

Algumas instituições estão buscando alternativas, como URLs de busca modificadas e extensões de navegador, mas essas soluções podem se tornar obsoletas se o Google alterar a forma como apresenta os resultados. Mudar de mecanismo de busca é um desafio para os alunos que dependem dos Chromebooks e das ferramentas educacionais do Google. O DuckDuckGo pode explorar essa oportunidade, mas não há planos imediatos para lançar uma versão voltada para o ambiente escolar.

A Microsoft, por sua vez, oferece uma extensão do Chrome que permite desativar os resumos de IA no Bing, mas isso não resolve a questão para aqueles que utilizam o Google.

O Google ainda não esclareceu se implementará uma forma de desativar os resumos de forma independente. Nicole Kerson, ex-chefe de produto do Google Search, indicou que o custo de manter uma versão separada da Busca pode ser um obstáculo para

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