Ativista de extrema direita é assassinado e gera tumulto na política francesa
Governo francês responsabiliza esquerda radical por clima de violência após morte de ativista
O governo francês acusou a esquerda radical de fomentar um “clima de violência” em meio à crescente polarização política, especialmente após a morte de um ativista de extrema direita em Lyon.
Quentin Deranque, de 23 anos, faleceu após ser agredido durante um protesto realizado por grupos de extrema direita contra um evento promovido por uma eurodeputada de esquerda em uma universidade local. O incidente ocorreu no dia 12 de fevereiro, e a Justiça já iniciou uma investigação por homicídio doloso.
O promotor de Lyon, Thierry Dran, confirmou que ainda não houve detenções, mas as investigações estão em andamento para identificar os responsáveis pela agressão. A morte de Deranque reacendeu as tensões entre a extrema direita e a esquerda radical, em um contexto de aproximação das eleições municipais de março, que são vistas como um termômetro para a eleição presidencial de 2027.
A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, destacou a “responsabilidade moral” do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), que, segundo ela, teria incentivado um clima de violência ao longo dos anos.
Os grupos de extrema direita atribuíram a responsabilidade pelo ataque a ex-membros do movimento antifascista Jeune Garde, que foi dissolvido no ano passado. O grupo negou qualquer envolvimento com os eventos que resultaram na morte de Deranque.
Detalhes da agressão
A agressão que levou à morte de Deranque ocorreu durante um confronto entre grupos de extrema esquerda e extrema direita. Testemunhas relataram que ele foi atacado por pelo menos seis indivíduos encapuzados enquanto participava de uma manifestação.
Quando os serviços de emergência chegaram, Deranque apresentava lesões graves na cabeça, incluindo um traumatismo cranioencefálico. Imagens do ataque, divulgadas por um canal de televisão, mostraram um grupo de pessoas agredindo três jovens no chão, utilizando barras de metal.
Jean-Luc Mélenchon, líder da LFI e três vezes candidato à presidência, negou qualquer responsabilidade pelo incidente, que gerou um intenso debate à medida que as eleições municipais se aproximam.
Essas eleições são vistas como um teste crucial para a corrida presidencial de 2027, em que Emmanuel Macron não poderá se candidatar novamente após dois mandatos consecutivos. Pesquisas indicam que o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, é um dos favoritos, apesar de sua inelegibilidade atual devido a uma condenação por desvio de recursos públicos.
Se a inelegibilidade de Le Pen for mantida, Jordan Bardella, um jovem político popular, pode ser o candidato do RN. Recentemente, pesquisas mostraram que Bardella é visto como o candidato preferido entre os franceses, superando Le Pen e outros possíveis candidatos.
