Protesto revela conflito entre Nikolas e grupo bolsonarista que se opõe ao ‘Fora, Toffoli’

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Conflitos internos no bolsonarismo emergem com convocação de protesto de direita.

Um protesto de direita agendado para o dia 1º de março gerou novas tensões dentro do bolsonarismo. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) fez a convocação com o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, mas uma parte do grupo acredita que não é estratégico focar no impeachment do ministro do STF Dias Toffoli neste momento.

Esse grupo defende que a prioridade deve ser a anistia aos manifestantes do 8 de janeiro e a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nos últimos meses, aliados têm reportado críticas a uma possível tentativa de Nikolas de se distanciar de Bolsonaro, visando seu próprio crescimento político. Entretanto, pessoas próximas ao deputado consideram essas queixas como meras disputas de protagonismo.

Nikolas anunciou o ato no dia 12 de fevereiro, coincidentemente no mesmo dia em que Toffoli se afastou da relatoria do processo que investiga irregularidades no Banco Master, após a divulgação de informações que ligam o ministro a um resort e a um banco específico.

Nos dias seguintes, políticos próximos à família Bolsonaro começaram a convocar o protesto com ênfase na anistia e na liberdade irrestrita, inclusive para o ex-presidente. Entre os que adotaram essa linha estão o deputado federal Mário Frias (PL), os deputados estaduais Gil Diniz (PL) e Lucas Bove (PL), além do vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL).

Relatos indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL), que se apresenta como pré-candidato à Presidência, foi aconselhado a evitar discutir o impeachment de Toffoli. Um aliado do grupo mencionou que essa pauta estaria sendo utilizada por setores da direita não bolsonarista para ganhar visibilidade e desviar a atenção da mobilização pela anistia e pela liberdade de Bolsonaro.

Esse interlocutor argumenta que, embora haja apoio ao afastamento de Toffoli e Alexandre de Moraes, um impeachment a menos de um ano das eleições poderia favorecer Lula, que teria a oportunidade de indicar um novo ministro ao STF. Isso poderia incluir a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD), um nome apoiado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).

No dia 15 de fevereiro, Nikolas reagiu nas redes sociais, questionando a coerência de se pedir o impeachment de ministros apenas em momentos específicos. Ele criticou a falta de consistência nas narrativas e a tentativa de desviar o foco dos reais problemas enfrentados pelo grupo.

Bolsonaristas negam que a defesa da anistia represente uma proteção a Toffoli. O deputado estadual Gil Diniz, visto como um potencial candidato ao Senado, desqualificou as acusações como “mau-caratismo”. Ele ressaltou a importância de não esquecer dos presos políticos que ainda estão detidos.

Após tentativas de modificar a pauta do ato, Nikolas reiterou que a convocação deve incluir o pedido de impeachment de ministros do STF e a saída de Lula. Ele afirmou que o protesto também visa derrubar o veto da dosimetria, que considera essencial para garantir a liberdade dos presos do 8 de janeiro e de Bolsonaro.

Em resposta, Gil Diniz reafirmou a prioridade da anistia geral e irrestrita para todos os presos políticos, enfatizando a importância de não se deixar levar por interesses pessoais de políticos que cresceram com o apoio de Bolsonaro.

Aliados de Nikolas defendem que as pautas apresentadas pela ala bolsonarista estão contempladas na convocação, mas ressaltam que o grupo não está se engajando ativamente no impeachment de Toffoli. O chamado à manifestação com foco na anistia foi amplamente compartilhado por Eduardo Bolsonaro, que expressou seu apoio ao evento.

A tensão entre os membros do bolsonarismo reflete divisões internas, com Eduardo Bolsonaro enfrentando atritos com Nikolas, enquanto Michelle Bolsonaro demonstra apoio ao deputado. Recentemente, ela elogiou Nikolas, referindo-se a ele como “separado por Deus para este tempo”.

Durante um ato contra as prisões do 8 de janeiro, houve sinais de reconciliação entre Nikolas e os filhos do ex-presidente, que o parabenizaram pela mobilização. Flávio Bolsonaro chegou a cogitar lançar Nikolas ao Governo de Minas Gerais, embora o deputado tenha reafirmado sua

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