Fazenda brasileira colhe 1 milhão de melões por dia e abastece mercados europeus
Produção recorde no Nordeste impulsiona exportações e torna o Brasil um dos maiores fornecedores de melão no mundo
Uma fazenda brasileira localizada entre os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte está produzindo cerca de 1 milhão de melões por dia, abastecendo não apenas o mercado interno mas, principalmente, grandes redes varejistas na Europa.
A empresa responsável pela produção, a Agrícola Famosa, iniciou suas operações em 1995 e se tornou uma das maiores produtoras e exportadoras de melões e melancias do planeta.
Estrutura produtiva e tecnologia
O complexo agrícola ocupa aproximadamente 25 mil hectares de terras, dos quais 12 mil são cultivados diretamente com melões e melancias. A produção envolve cerca de 6,5 mil funcionários diretos e mais de 20 mil colaboradores indiretos, refletindo o impacto socioeconômico da operação no sertão nordestino.
A produção utiliza tecnologia avançada — como sistemas de irrigação por gotejamento desenvolvidos em parceria com especialistas de Israel — que permite monitorar a umidade do solo, proteger plantas de pragas e padronizar a qualidade dos frutos.
Exportação para a Europa
Do total produzido, cerca de 75% da colheita é destinada ao mercado europeu, especialmente durante o período em que a produção local de melões no Velho Continente é menor.
A logística de exportação concentra-se no Porto de Natal (RN), que funciona como principal base de embarque de contêineres refrigerados. Por ali, cerca de 10 mil toneladas de frutas são embarcadas semanalmente com destino a países como:
- Países Baixos (Holanda) — principal destino;
- Reino Unido;
- Espanha.
A exportação brasileira de melões obteve resultados recordes no ano de 2025, com faturamento de US$ 231 milhões, alta de 25% em relação ao ano anterior, e volume de 283 mil toneladas exportadas — patamar histórico desde 1997, início da série de dados oficial.
Variedades e diferenciais
Entre as variedades produzidas estão:
- melão amarelo;
- Pele de Sapo;
- Cantaloupe;
- Galia;
- Charentais;
- Orange.
Todos os frutos passam por uma rigorosa seleção em unidades de “packing house”, que garantem a classificação, lavagem, higienização e embalagem antes do envio internacional, garantindo que os consumidores europeus recebam produtos com qualidade elevada e prazos máximos de chegada.
Paradoxo do consumo interno
Enquanto os melões brasileiros ganham espaço no exterior, um paradoxo se observa no Brasil: a fruta ainda enfrenta limitações de consumo em larga escala no mercado interno. Isso se deve, em parte, a falhas na chamada cadeia de frio nacional, que compromete a qualidade da fruta nos pontos de venda domésticos, reduzindo sua atratividade junto aos consumidores.
Tendência de crescimento
Diversos dados de comércio exterior apontam que as exportações brasileiras de melões e outras frutas frescas para a Europa seguem em forte tendência de crescimento, graças ao ritmo de produção estável no Nordeste e à demanda europeia por frutas fora de estação local. Países como a Holanda, Espanha e Reino Unido absorvem a maior parte desses embarques, transformando o Brasil em um parceiro estratégico do setor de hortifruti na Europa.
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