O “não” feminino como sentença em uma sociedade patriarcal

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A importância de dizer não e suas trágicas consequências na sociedade patriarcal.

O debate sobre a autonomia feminina e a capacidade de dizer não é crucial, especialmente em uma sociedade que ainda enfrenta a resistência a aceitar o direito das mulheres de decidirem sobre suas próprias vidas. Essa negativa, muitas vezes, é acompanhada de consequências devastadoras, como demonstrado em um recente caso de violência familiar.

Na semana passada, um crime chocante em Itumbiara, Goiás, resultou na morte de duas crianças. O ex-secretário de governo do município, Thales Naves Alves Machado, disparou contra seus filhos, Miguel, de 12 anos, e Benício, de 8, antes de tirar a própria vida. Em uma carta de despedida, ele atribuiu suas ações a uma crise conjugal e uma suposta traição da esposa, Sarah Tinoco Araújo, que estava fora da cidade no momento do ocorrido.

Sarah, além de enfrentar a dor insuportável da perda, foi alvo de hostilidades e responsabilizações, inclusive por outras mulheres. Essa situação evidencia como a sociedade frequentemente desvia o foco do verdadeiro agressor, que neste caso foi o pai, incapaz de lidar com a dinâmica do relacionamento conjugal.

O crime de Thales está prestes a ser incluído na Lei Maria da Penha, através de um projeto de lei que visa reconhecer a “Violência Vicária”. Essa forma de violência, onde agressores atingem pessoas próximas às suas vítimas, como filhos, destaca como a brutalidade masculina se manifesta em diversas formas, especialmente quando os homens se sentem ameaçados em suas relações.

Sarah, apesar de ter sobrevivido à tragédia, carrega consigo um peso emocional imenso. Ela afirmou que “nada pode justificar a tragédia” que ocorreu e lembrou que seus filhos eram inocentes, não merecendo tal destino. Sua história é um testemunho do impacto devastador que a violência familiar pode ter na vida de uma mulher.

Em um outro caso recente em Itumbiara, uma ex-mulher foi assassinada pelo ex-marido inconformado, que também agrediu a filha da vítima antes de cometer suicídio. Esses eventos mostram a rotina de violência enfrentada pelas mulheres, que não deve ser naturalizada ou justificada por suas negativas.

Um caso emblemático no Rio de Janeiro envolve a jovem Alana Anísio Rosa, de 20 anos, que foi atacada por Luiz Felipe Sampaio, de 22, após recusar um pedido de namoro. Alana foi esfaqueada 15 vezes e sobreviveu graças à intervenção da mãe, que chegou a tempo de salvar a filha. Essa situação ilustra o medo que muitas mulheres sentem ao dizer não.

Entretanto, há sinais de mudança no sistema judiciário. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu afastar o ministro Marco Buzzi após denúncias de importunação sexual, indicando que as vozes femininas, frequentemente ignoradas, estão começando a ser ouvidas em esferas de poder.

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