Câmeras de inteligência artificial em São Paulo aumentam em dez vezes o número de multas por infrações de trânsito

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Inteligência artificial transforma a fiscalização nas rodovias brasileiras

Câmeras equipadas com inteligência artificial estão sendo utilizadas em diversas funções no Brasil, desde o reconhecimento facial em sistemas de segurança até o monitoramento de trânsito. Essa tecnologia tem se mostrado eficaz na identificação de infrações nas rodovias, contribuindo para a segurança viária.

Desde outubro de 2025, novos equipamentos instalados em trechos do Anel Viário Norte e Sul, em Ribeirão Preto, e na Rodovia Anhanguera, começaram a identificar automaticamente comportamentos imprudentes ao volante. O resultado foi surpreendente: o número médio de multas diárias aumentou de 30 para cerca de 350, um crescimento de dez vezes. Além disso, os dados indicam uma redução nos acidentes e nas vítimas nas áreas monitoradas.

As câmeras de monitoramento têm como objetivo principal a diminuição das distrações e comportamentos de risco, que são algumas das principais causas de acidentes. Elas são capazes de identificar motoristas utilizando o celular, passageiros sem cinto de segurança, consumo de bebidas durante a condução, ultrapassagens em locais proibidos e veículos comerciais trafegando fora da faixa obrigatória.

Os resultados dessa nova forma de vigilância são evidentes. Em um único dia de operação nas rodovias de Ribeirão Preto, as câmeras registraram 58 motoristas fumando enquanto dirigiam e 1.797 sem cinto de segurança. Esses números demonstram a eficácia da tecnologia na identificação de comportamentos imprudentes que ocorrem frequentemente.

Apesar do monitoramento automatizado, a aplicação das multas não é feita pela concessionária responsável. As imagens capturadas são enviadas em tempo real para a Polícia Militar Rodoviária, que realiza a checagem manual antes de confirmar qualquer infração.

O uso de celulares se consolidou como uma das principais fontes de distração no trânsito. Dados indicam que manusear o smartphone enquanto dirige pode aumentar em até 400% o risco de acidentes, sendo essa prática a terceira principal causa de mortes nas rodovias do país, atrás do excesso de velocidade e da embriaguez.

A penalidade para quem utiliza o celular ao volante é severa, configurando-se como uma infração gravíssima, com multa de R$293,47 e sete pontos na carteira de habilitação. Essa autuação se aplica mesmo quando o veículo está parado em semáforos ou congestionamentos, sendo permitida apenas a utilização do aparelho fixado em suporte, sem interação manual.

Além disso, a ausência do cinto de segurança agrava as consequências de colisões. A infração gera uma multa de R$195 e cinco pontos na carteira. Com a fiscalização automatizada, tanto o uso do celular quanto o não uso do cinto tendem a ser identificados com mais frequência, como já demonstram os primeiros levantamentos em São Paulo.

A implementação das câmeras resultou em uma redução de 15% no número de acidentes e de 14% no total de vítimas em comparação com o início de 2025. A combinação entre inteligência artificial, envio de alertas em tempo real e verificação humana reflete um novo modelo de controle viário, menos dependente da presença física de agentes e cada vez mais baseado na análise automatizada de comportamento.

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