Ex-presidente da Coreia do Sul se retrata após ser condenado à prisão perpétua

Compartilhe essa Informação

Ex-presidente da Coreia do Sul recebe pena de prisão perpétua por insurreição.

O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol foi condenado à prisão perpétua por liderar um golpe de Estado, um desdobramento que teve grande repercussão na política do país.

Em um pedido de desculpas à população, Yoon expressou arrependimento pelas “dificuldades” causadas pela sua declaração de lei marcial em 2024. Ele afirmou que suas ações foram motivadas pela intenção de proteger a nação.

“Peço profundas desculpas ao povo pela frustração e pelas dificuldades que causei, devido às minhas próprias falhas, apesar da minha determinação em salvar a nação”, declarou Yoon por meio de seu advogado.

A decisão judicial, proferida no dia 19 de fevereiro, considerou Yoon culpado por instigar uma insurreição, que resultou em uma crise política significativa no país. A promotoria havia solicitado a pena de morte, alegando que o ex-presidente não demonstrou remorso por suas ações que ameaçaram a ordem constitucional.

Embora a pena de morte tenha sido cogitada, a sua execução é considerada improvável, uma vez que a Coreia do Sul mantém uma moratória não oficial sobre as execuções desde 1997.

Yoon defendeu sua posição, argumentando que a declaração de lei marcial foi um exercício legítimo de sua autoridade presidencial. Durante os julgamentos, ele insistiu que “o exercício dos poderes constitucionais de emergência de um presidente para proteger a nação e manter a ordem constitucional não pode ser considerado um ato de insurreição”.

O ex-presidente também acusou o partido da oposição de impor uma “ditadura inconstitucional” ao controlar o Legislativo, afirmando que não havia outra opção a não ser mobilizar o povo.

Em janeiro, Yoon já havia sido condenado a cinco anos de prisão por crimes relacionados à obstrução da Justiça, sendo esta a primeira de várias condenações que enfrenta. A condenação mais recente está relacionada à tentativa de golpe ao impor a lei marcial em dezembro de 2024, que desencadeou uma grave crise política e resultou em sua destituição.

O juiz Baek Dae-hyun destacou a gravidade da situação, afirmando que o réu demonstrou uma atitude que desrespeitou a Constituição. No entanto, Yoon foi absolvido de falsificação de documentos oficiais devido à falta de provas.

A defesa do ex-presidente, que já se encontra preso desde julho de 2025, anunciou que pretende recorrer da decisão judicial.

Outras condenações

Além da condenação por insurreição, Yoon foi responsabilizado por diversas ações ilegais, incluindo a exclusão de funcionários do governo de reuniões sobre a lei marcial e a fabricação de documentos oficiais. Ele também é acusado de ter se escondido para evitar a prisão e de destruir provas ao ordenar a eliminação de registros telefônicos.

“Apesar de ter o dever, acima de todos os outros, de defender a Constituição e observar o Estado de Direito como presidente, o réu demonstrou uma atitude que desrespeitou a Constituição”, afirmou o juiz Baek.

A defesa de Yoon, que já está presa desde julho de 2025, anunciou que irá discutir a possibilidade de recorrer da sentença.

Relembre o caso

Durante as audiências do Tribunal Constitucional, Yoon e seus advogados argumentaram que a intenção não era impor a lei marcial de forma total, mas sim usar as medidas como um aviso para quebrar o impasse político que o país enfrentava.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *