Antes de Andrew, a última prisão na realeza britânica ocorreu há 377 anos
Ex-duque de York é preso em investigação de má conduta pública
Nesta quinta-feira, a polícia britânica deteve Andrew Mountbatten-Windsor, ex-duque de York e irmão do rei Charles III, por suspeitas de má conduta em cargo público. A prisão ocorre em meio a um histórico controverso de relações com Jeffrey Epstein, um empresário americano que se suicidou em 2019 enquanto enfrentava acusações de tráfico de pessoas e abuso sexual.
Andrew Windsor enfrenta a possibilidade de prisão perpétua devido a alegações de que vazou documentos confidenciais a Epstein. Ele se torna o primeiro membro da Família Real britânica a ser preso desde o século XVII, e pode ser o primeiro a ser condenado judicialmente nesse período, o que não ocorre há 377 anos.
Curiosamente, o último caso de prisão de um membro da realeza remonta a Charles I, que governou as ilhas britânicas entre 1625 e 1647. Ele também detinha o título de duque de York antes de ascender ao trono. Charles I foi derrotado e preso após a Guerra Civil Inglesa, sendo posteriormente julgado e condenado à morte em 1649.
Reinado conturbado de Charles I
Charles I, nascido na Escócia, era filho de Jaime Stuart, o primeiro monarca a unir as coroas da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Seu reinado foi marcado por conflitos com a aristocracia inglesa, especialmente devido à sua defesa do absolutismo e tentativas de limitar a autoridade do parlamento, que historicamente tinha um papel significativo no controle do poder real.
As políticas religiosas de Charles I também geraram descontentamento. Ele impôs práticas anglicanas na Escócia, que possuía uma forte tradição protestante, ao mesmo tempo que buscava aliança com famílias católicas da Europa. Isso exacerbava as tensões entre diferentes grupos religiosos e sociais.
Entre 1629 e 1640, Charles I tentou governar sem o parlamento, o que resultou em uma série de rebeliões. Sem recursos financeiros para sustentar seu exército, ele aumentou os impostos, que precisavam ser aprovados pelo parlamento. Quando convocou o parlamento novamente, encontrou resistência e foi forçado a dissolvê-lo rapidamente.
A disputa pelo controle sobre o exército entre o rei e o parlamento culminou em 1642, quando a tensão se transformou em um conflito armado, dando início à Guerra Civil Inglesa.
Consequências da Guerra Civil
A guerra civil resultou na derrota de Charles I, que foi capturado pelos parlamentaristas em dezembro de 1647. No ano seguinte, uma nova rebelião foi liderada por escoceses que apoiavam o rei, mas também foi rapidamente sufocada pelos parlamentaristas.
Após a guerra, um tribunal foi estabelecido para julgar Charles I por traição. Composto por 135 representantes do parlamento, o julgamento enfrentou desafios devido às contestações do rei sobre a legitimidade da corte. Após sete dias de audiências, Charles I foi condenado à morte.
Após sua execução, a Inglaterra tentou se organizar como uma república, até que, em 1660, Charles II, filho de Charles I, restaurou a monarquia, encerrando um período tumultuado na história britânica.
