Ex-ministros de Bolsonaro lançam vídeo pedindo voto para Flávio e especialistas apontam possível infração
Ex-ministros de Bolsonaro fazem pedido de voto antecipado para Flávio Bolsonaro, gerando polêmica.
Ex-ministros do governo Bolsonaro, Gilson Machado e Marcelo Queiroga, publicaram um vídeo nas redes sociais pedindo votos para Flávio Bolsonaro, o que levantou questões sobre a legalidade dessa ação.
No vídeo, Machado enfatiza a importância de apoiar Flávio Bolsonaro no Nordeste, enquanto Queiroga pede explicitamente o voto para o filho do ex-presidente nas próximas eleições. Essa declaração ocorre antes do início oficial da campanha eleitoral, que se inicia após o dia 15 de agosto, o que pode configurar propaganda eleitoral antecipada.
De acordo com a legislação, qualquer solicitação de voto antes dessa data é considerada irregular e pode resultar em multas que variam de R$ 5.000 a R$ 25 mil, dependendo da gravidade da infração.
Queiroga defende que suas declarações não constituem propaganda antecipada, mas sim uma manifestação de opinião política. Ele argumenta que não houve um pedido direto de voto ou referência a um cargo específico, reafirmando seu direito de expressar opiniões em um ambiente democrático.
A reportagem tentou contato com Gilson Machado e seu partido, o Podemos, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.
Marcelo Ribeiro, ex-ministro do TSE, observa que a fala de Machado e Queiroga possui um claro caráter de propaganda eleitoral antecipada, mesmo sem mencionar o cargo. Ele destaca que Flávio Bolsonaro é um pré-candidato à presidência, o que torna a situação ainda mais evidente.
O advogado Delosmar Mendonça Junior, especialista em direito eleitoral, também considera que a declaração pode ser classificada como propaganda antecipada, uma vez que há um pedido direto de apoio à candidatura, evidenciando a intenção de influenciar o eleitorado.
Se houver uma representação formal por parte de um partido ou do Ministério Público, o TSE poderá impor multas aos envolvidos, segundo o especialista.
A publicação do vídeo ocorreu logo após Machado compartilhar um post em que aparece colocando um adesivo em uma moto, com a frase “O Nordeste está com Flávio Bolsonaro 2026”.
Em resposta a essa postagem, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o TSE, acusando Machado e Flávio Bolsonaro de prática de propaganda eleitoral antecipada. Farias argumenta que o conteúdo se assemelha a uma campanha, com identificação do candidato e uma mensagem de apoio explícita.
O deputado solicita não apenas a remoção do conteúdo e a aplicação de multa, mas também a investigação por parte do Ministério Público Eleitoral sobre possível abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
Farias ressalta a importância de a Justiça Eleitoral agir para garantir o respeito ao calendário eleitoral e a legitimidade das eleições, evitando a promoção antecipada de candidaturas em desacordo com a legislação.
Nas redes sociais, Machado comentou sobre a representação feita pelo deputado, chamando a medida de “cortina de fumaça” para desviar a atenção do desfile em homenagem a Lula, realizado no dia 15.
O desfile, que homenageou o presidente, também levanta questões sobre possíveis infrações eleitorais, com especialistas divididos sobre a possibilidade de responsabilização.
Recentemente, o TSE rejeitou um pedido para barrar o samba-enredo que homenageou Lula, mas alertou sobre os riscos de ilícitos. Após o desfile, o partido Novo anunciou a intenção de entrar com uma ação visando a inelegibilidade do ex-presidente.
