Colômbia Inova ao Autorizar Candidatura com Inteligência Artificial nas Eleições Legislativas

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Gaitana, a inteligência artificial, se torna candidata nas eleições legislativas da Colômbia.

Com uma aparência inusitada e uma abordagem inovadora, Gaitana IA, uma inteligência artificial, está concorrendo ao Senado e à Câmara de Representantes na Colômbia. Representando a Circunscrição Especial Indígena, Gaitana foi criada por Carlos Redondo, que compartilhou detalhes sobre o projeto e seu funcionamento.

De acordo com Redondo, a proposta surgiu da necessidade de digitalizar a cosmovisão das comunidades indígenas, onde o ego do líder é substituído por um modelo de consenso. A IA busca refletir essa filosofia, atuando como um facilitador nas decisões coletivas.

“Nas nossas comunidades, o ego do líder, do personagem, não existe. Cacique é o ancião que vai de casa em casa, de família em família, buscando consenso”, explica Redondo.

Embora a legislação colombiana não permita que uma IA se candidate formalmente, o Conselho Nacional Eleitoral autorizou que Redondo e outro representante humano atuem em conjunto, replicando as decisões que Gaitana sintetiza a partir das opiniões da comunidade.

A plataforma permite que os usuários enviem temas, que são então processados pela IA. Gaitana sintetiza as informações e coleta opiniões, tomando decisões com base na maioria. Este processo será aplicado ao votar em projetos de lei, caso a IA seja eleita.

“Se há um projeto de lei, a Gaitana compartilha, reduz o conteúdo. Se for uma lei de 200 páginas, ela reduz a cinco infográficos”, detalha Redondo sobre o funcionamento da IA.

Um questionamento pertinente surge: o que ocorreria se a maioria decidisse boicotar as propostas? Redondo afirma que, se o consenso indicar essa direção, os legisladores terão que respeitar a decisão, embora isso exija uma maioria expressiva.

Com apenas três servidores, o impacto ambiental do projeto é considerado mínimo. No entanto, Redondo admite que a tecnologia ainda enfrenta desafios em segurança de dados e na gestão de opiniões divergentes, ressaltando que a iniciativa é uma proposta antissistema.

Ele critica a forma como os projetos de lei têm sido apresentados no país, mencionando que muitos são trivialidades, como homenagens a pratos típicos. A intenção é desumanizar práticas legislativas ineficazes e humanizar o processo por meio de dados.

Ainda é cedo para avaliar o alcance da iniciativa, que tem atraído o apoio de jovens. Pesquisas indicam que apenas um terço dos eleitores com menos de 24 anos pretende participar das eleições, refletindo um cenário desafiador para Gaitana.

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