Bayer fecha acordo bilionário para compensar usuários de glifosato
Incerteza sobre acordo bilionário pressiona ações da Bayer.
A incerteza em torno de um acordo de até 7,25 bilhões de dólares para encerrar processos relacionados ao herbicida Roundup, à base de glifosato, impactou negativamente as ações da Bayer, que caíram 12% em um único dia.
Na terça-feira, a Bayer anunciou que sua subsidiária Monsanto havia alcançado um entendimento para resolver dezenas de milhares de processos judiciais que alegam que o uso do herbicida pode causar câncer. Essa movimentação é vista como um passo significativo para a empresa, que tem enfrentado desafios legais desde a aquisição da Monsanto em 2018 por 63 bilhões de dólares.
“A incerteza causada por litígios tem atormentado a empresa por anos, e esse acordo oferece à empresa um caminho para a resolução do problema”, afirmou o CEO da Bayer, Bill Anderson.
O Roundup é um dos herbicidas mais utilizados nos Estados Unidos, e a Bayer enfrenta um grande número de ações judiciais que alegam que o produto está ligado a casos de linfoma não-Hodgkin.
Analistas do banco JPMorgan consideraram o acordo um passo positivo, mas destacaram a falta de clareza sobre quantos demandantes precisariam aderir para que o acordo se concretizasse. A aprovação judicial e a possibilidade de desistências também são questões que pairam sobre o futuro do entendimento.
A Suprema Corte dos EUA deve avaliar em abril se a aprovação do Roundup pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), sem um alerta sobre riscos de câncer, deve anular as ações judiciais estaduais. A Bayer argumenta que a regulamentação federal impede a inclusão de advertências adicionais ao produto.
O novo acordo, apresentado em um tribunal no Missouri, propõe um programa de indenização financiado por pagamentos anuais por até 21 anos, totalizando até 7,25 bilhões de dólares. Os valores a serem pagos variam com base na exposição ao produto e na gravidade da doença diagnosticada.
Um trabalhador agrícola diagnosticado com uma forma agressiva de linfoma antes dos 60 anos poderia receber cerca de 165 mil dólares, enquanto um usuário residencial diagnosticado com uma forma menos agressiva após os 60 anos receberia em média 20 mil dólares.
Contudo, a proposta gerou reações mistas, com alguns advogados representando demandantes considerando os valores oferecidos insuficientes e expressando preocupação com a adesão ao acordo.
Desde 2015, cerca de 200 mil ações judiciais foram movidas contra a Bayer, refletindo a magnitude da crise enfrentada pela empresa. Apesar de já ter desembolsado cerca de 10 bilhões de dólares para resolver processos anteriores, a Bayer busca agora uma solução abrangente para os casos restantes.
O novo acordo visa resolver a maioria dos processos pendentes e também cobrir quaisquer ações futuras que possam ser apresentadas por pessoas expostas ao Roundup até 2026.
