Empresária se sente mal e depoimento é interrompido na CPMI do INSS

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Depoimento de empresária na CPMI do INSS é interrompido devido a mal-estar

O depoimento da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi abruptamente encerrado após ela apresentar um mal-estar durante as perguntas do relator da comissão.

O presidente do colegiado, Carlos Viana, decidiu suspender os trabalhos para que Ingrid recebesse atendimento médico. A empresária deixou a sessão antes que sua oitiva fosse concluída, levantando preocupações sobre seu estado de saúde.

Ingrid foi convocada a depor após a ausência do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que informou que não compareceria à CPMI. A situação gerou expectativa em torno das informações que poderiam ser reveladas durante o depoimento.

Ela é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, ambos associados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Essa entidade é suspeita de ter recebido mais de R$ 100 milhões decorrentes de descontos indevidos em benefícios previdenciários, o que intensifica a gravidade das investigações.

Cícero é considerado um dos operadores do esquema, atuando como assessor do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está sob investigação pela CPMI. A comissão apura como parte dos recursos desviados foi movimentada em contas de empresas nas quais Ingrid é sócia.

O relator da CPMI destacou que a empresária recebeu, além dos valores repassados às contas da empresa, mais de R$ 13 milhões, oriundos de recursos que pertencem a aposentados e pensionistas. Ele enfatizou a seriedade do crime em questão e a necessidade de responsabilização de todos os envolvidos.

Antes de seu comparecimento à CPMI, Ingrid obteve um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal que a autorizava a permanecer em silêncio durante seu depoimento. Isso gerou discussões sobre os limites da responsabilização e a transparência nas informações prestadas.

Durante a oitiva, Ingrid foi questionada sobre as operações de sua empresa e sua consciência sobre o envolvimento no esquema de descontos indevidos do INSS. Ela afirmou que não tinha conhecimento das atividades e que a gestão das empresas era de responsabilidade de seu marido, Cícero.

“Em relação a empresas, transferências, eu não vou conseguir responder nada para vocês, porque quem geria tudo isso, como ele falou aqui para todos vocês, era o meu esposo, Cícero. Inclusive, ele até traiu a minha confiança quando eu vi a Polícia Federal batendo na minha porta, acordando meus filhos e constrangendo a minha família”, declarou.

Ingrid também expressou sua surpresa e dificuldade em estar na CPMI, ressaltando que nunca imaginou passar por uma situação tão constrangedora.

Vorcaro

Antes do início do depoimento, o presidente da CPMI anunciou que recorrerá da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal que desobrigou Daniel Vorcaro de comparecer à comissão. Este depoimento estava agendado, mas um habeas corpus impediu sua obrigatoriedade.

Vorcaro, atualmente em prisão domiciliar, foi convocado para esclarecer irregularidades relacionadas a empréstimos consignados e os impactos negativos que causaram a aposentados e pensionistas. O Banco Master tinha um acordo de cooperação técnica com o INSS para a oferta de crédito consignado.

Prorrogação

O presidente da CPMI também informou que solicitou a prorrogação dos trabalhos do colegiado por pelo menos 60 dias. Um pedido formal foi protocolado para a consideração do presidente do Senado, mas ainda não houve resposta.

Diante da falta de retorno, o presidente da CPMI considera a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal para garantir a continuidade das investigações que começaram em 20 de agosto.

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