Fetransul alerta que pedágio justo está atrelado a melhorias em segurança e redução do tempo de viagem

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Pesquisa revela percepção dos motoristas sobre pedágios no Rio Grande do Sul

A Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Fetransul) apresentou os resultados de uma pesquisa sobre a percepção dos usuários quanto aos pedágios nas concessões rodoviárias do Estado.

O levantamento ocorreu entre 22 e 28 de janeiro de 2026, com 450 entrevistas realizadas em postos de combustíveis em diversas cidades, incluindo Passo Fundo e Marau. A amostra foi composta por 70% de motoristas de veículos leves e 30% de caminhoneiros, garantindo representatividade e diversidade.

A pesquisa revelou que a principal preocupação dos motoristas não é o valor da tarifa, mas sim a falta de conservação das rodovias e os riscos associados, como buracos, estradas estreitas e congestionamentos. No bloco 1, 67,2% dos caminhoneiros mencionaram esses problemas como prioritários. No bloco 2, esse índice aumentou para 86,6%, enquanto a preocupação com o preço do pedágio foi citada por apenas 23,7% no bloco 1 e 13,4% no bloco 2.

Além disso, a maioria dos motoristas considera que um pedágio deve ser justo quando oferece serviços adequados, boa conservação da estrada, segurança e redução no tempo de viagem. Cerca de 86,6% dos entrevistados no bloco 1 e 84,4% do bloco 2 concordaram com essa visão. Apenas 15% mencionaram a existência de rotas alternativas como um fator determinante.

Os dados também mostram que a maioria dos usuários aceita pagar pedágio desde que haja proporcionalidade em relação ao trecho percorrido. No bloco 2, 70,9% dos motoristas concordaram com esse modelo, enquanto no bloco 1 o índice foi de 57,1%. A rejeição total ao pagamento foi maior no bloco 1 (42,9%) do que no bloco 2 (29,1%).

Outro aspecto levantado na pesquisa indica que 44,2% dos motoristas do bloco 2 e 16,4% do bloco 1 estariam dispostos a pagar quando percebessem melhorias claras na conservação das rodovias. Contudo, 77,6% no bloco 1 e 50% no bloco 2 ainda rejeitam a cobrança, revelando uma percepção negativa decorrente de experiências anteriores com concessões.

Quando questionados sobre a justiça em custear investimentos em infraestrutura, 49% dos usuários do bloco 1 e 66,3% do bloco 2 se mostraram favoráveis. Por outro lado, 51% no bloco 1 e 33,7% no bloco 2 se opuseram, evidenciando uma divisão nas opiniões sobre o tema.

No que diz respeito aos projetos de concessão em andamento, apenas 31,5% no bloco 1 e 24,7% no bloco 2 rejeitam totalmente as iniciativas. A maioria defende uma revisão das tarifas, sem se opor à necessidade de investimentos, indicando que os motoristas buscam ajustes no modelo tarifário para que se tornem mais compatíveis com a realidade econômica do Estado.

O presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, destacou que os resultados mostram que os transportadores estão dispostos a pagar se houver retorno em eficiência e segurança. Ele enfatizou a importância de focar não apenas nas tarifas, mas na qualidade dos serviços prestados.

A pesquisa também indicou que tarifações mal ajustadas podem encarecer o custo logístico, impactando setores como o agronegócio e a indústria. A resistência mais acentuada no bloco 1 reflete experiências anteriores, enquanto no bloco 2, a percepção é mais favorável, sugerindo que ajustes podem aumentar a aceitação social e econômica.

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