Setores do agro com taxa de 50% reagem às mudanças na tarifação
Mudanças nas tarifas de importação dos EUA trazem novas perspectivas para exportadores brasileiros.
Recentemente, o governo dos Estados Unidos anunciou alterações significativas nas tarifas de importação que impactam diretamente as relações comerciais com o Brasil. Produtos como carne bovina e café em grão já estavam isentos de tarifas desde o final do ano passado, mas outros itens, como café solúvel, mel, frutas e pescados, ainda enfrentavam sobretaxas que variavam entre 10% e 40%.
Essas sobretaxas, embora desafiadoras, não desanimaram os setores afetados. O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, Renato Azevedo, destacou que a tarifa do mel brasileiro era desvantajosa em comparação com a de outros países, mas agora, com a equiparação das tarifas, o produto brasileiro se torna mais competitivo.
“Agora é a mesma para o mel de todos os países. E se é para todo mundo, não tem problema, porque o nosso mel é muito competitivo”, afirma.
É importante ressaltar que nem todos os setores do agronegócio sofrerão com a nova taxa global. Produtos como carne bovina, café em grão e suco de laranja continuam isentos, conforme a decisão da Casa Branca. A expectativa é que os setores que estavam anteriormente sobrecarregados com tarifas se preparem para um novo cenário comercial após a redução.
🍯Exportadores de mel esperam retomar contratos
A apicultura brasileira é majoritariamente composta por pequenos produtores que vendem sua produção para empresas de comércio exterior. Azevedo mencionou que as empresas do setor já estão retomando conversas com clientes americanos, com a expectativa de que contratos sejam firmados novamente a partir de março.
“O mel que o Brasil vende para os EUA é o orgânico. Não tem concorrente no mundo que consegue fornecer na escala que a gente fornece. Então, com a tarifa igualada para todos [países], ficamos em vantagem”, diz Azevedo.
Após a imposição das tarifas elevadas, o setor conseguiu cumprir contratos já existentes, mas não conseguiu fechar novos negócios. Isso resultou em um grave problema de escoamento e desvalorização do mel produzido, uma vez que a produção foi atrasada por condições climáticas desfavoráveis.
Azevedo também ressaltou que 80% das exportações brasileiras de mel são destinadas aos Estados Unidos, tornando difícil substituir rapidamente esse mercado por outros países. O temor de que os consumidores americanos optassem por mel tradicional de outros mercados também pairava sobre o setor, mas a nova realidade traz um cenário mais otimista.
🐟Setor de pescados prevê reabrir postos de trabalho
O setor de pescados está otimista com a redução da tarifa de 50% para 10%, conforme afirmado pela Associação Brasileira das Indústrias de Pescados. Essa mudança é vista como uma oportunidade para recuperar contratos perdidos e reabrir postos de trabalho, que foram cortados devido às altas tarifas anteriores.
“A expectativa da entidade é que a normalização parcial das condições comerciais permita a retomada do crescimento já ao longo de 2026, com a recuperação estimada de mais de 5 mil postos de trabalho e recomposição da capacidade produtiva do setor”, afirma a Abipesca.
Com a nova tarifa, as exportações brasileiras de pescado podem alcançar cerca de US$ 600 milhões, com destaque para produtos como a tilápia, que é o principal item enviado para os EUA. O cenário também se torna mais favorável para o pescado brasileiro, já que os concorrentes, como a Colômbia, estarão sujeitos à mesma taxa.
☕Café solúvel ‘voltou para o jogo’
A indústria de café solúvel no Brasil vê a derrubada da tarifa de 50% como um alívio após meses de perda nas exportações. Os Estados Unidos são o maior comprador do café solúvel brasileiro há mais de 60 anos, e a redução das tarifas é um passo importante para recuperar o volume de exportações, que caiu 50% durante o período de sobretaxa.
“Nós voltamos para o jogo. É como se, agora, tivesse tarifa zero para todos. Com todo mundo no mesmo patamar, a gente entra com as mesmas condições de competitividade”, comenta o diretor-executivo da Abics, Aguinaldo Lima.
Durante o período de tarifas elevadas, muitos contratos foram rompidos, e importadores americanos buscar
