CPI investiga lucros da Meta relacionados ao crime na internet

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Senado questiona Meta sobre lucros com crimes digitais em audiência da CPI do Crime Organizado.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado brasileiro convocou a empresa Meta, controladora do WhatsApp, Facebook e Instagram, para esclarecer os ganhos econômicos associados à prática de crimes em suas plataformas digitais.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, destacou que os lucros obtidos com anúncios de fraudes e golpes na internet geram receitas bilionárias, o que incentivaria a continuidade desses conteúdos nas redes sociais.

“Ao que tudo indica, a Meta deliberadamente vem dificultando a atuação das autoridades, porque, ao criptografar conteúdo inadvertidamente, mesmo com relatos internos de que essa criptografia vai favorecer o crime, assim o fez”, afirmou o relator.

A criptografia de ponta a ponta, utilizada nas plataformas da Meta, impede o acesso de terceiros ao conteúdo das conversas, o que levanta preocupações sobre a segurança e a proteção de usuários.

Segundo Vieira, a empresa pode optar por permitir a divulgação de conteúdos criminosos para evitar indenizações, uma vez que a Justiça não tem acesso a informações que poderiam prejudicar vítimas, como em casos de exploração sexual.

O senador acredita que a Meta, sendo uma gigante global sem concorrentes diretos, não se preocupa com a sua imagem ao permitir a veiculação de conteúdo ilegal.

“É um megamonopólio de comunicação, e, de fato, a gente vai ter que chegar a algum ponto de regulamentação aqui, via lei. O avanço digital na sociedade traz um problema gravíssimo”, ponderou.

A Meta enfrenta ações judiciais nos Estados Unidos por supostamente facilitar a exploração sexual de crianças e adolescentes, além de promover conteúdos ilegais. A empresa nega essas acusações.

Outras plataformas também estão sob investigação, como a X, que é alvo de uma apuração da União Europeia sobre o uso de Inteligência Artificial para criar imagens sexualizadas de pessoas reais, incluindo menores.

Audiência no Senado

Durante a audiência da CPI, o relator solicitou a presença do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, para discutir os supostos ganhos bilionários da empresa com fraudes online.

Documentos indicam que a Meta teria faturado cerca de US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios de golpes, representando aproximadamente 10% da receita anual total da companhia.

No entanto, a empresa enviou a diretora de políticas econômicas para a América Latina, Yana Dumaresq Sobral Alves, que negou qualquer interesse econômico nos anúncios fraudulentos.

“[Temos] interesse de manter nossas plataformas longe de atores maliciosos; dizer que isso não está alinhado aos nossos interesses comerciais”, afirmou.

A representante da Meta acrescentou que a empresa já recebeu reconhecimento por suas ações no combate a fraudes, com decisões judiciais que rejeitaram pedidos de condenação por suposta omissão.

Ainda segundo a diretora, a Meta desarticulou quase 12 milhões de contas associadas a centros criminosos e removeu 134 milhões de anúncios fraudulentos em 2025.

“A confiança em nossas plataformas é condição absoluta para o sucesso de nossos negócios. Nosso objetivo é proteger usuários e empresas contra práticas enganosas”, concluiu.

Documentos internos vazados

O senador Vieira questionou Yara sobre reportagens que afirmam que documentos internos da Meta orientam gestores a evitar regulação estatal que busca barrar anúncios de golpes.

“Nunca vi nenhum documento que trouxesse esse tipo de interesse ou abordagem”, respondeu Yara.

Exploração sexual de crianças e adolescentes

O relator também indagou se a Meta tem capacidade para detectar e impedir a divulgação de imagens de abuso sexual de crianças. Ele citou estudos que mostram o uso de suas plataformas para aliciamento.

“Um relatório da ONG Human Trafficking Institute diz que o Facebook foi a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais para aliciar crianças”, destacou o senador.

A diretora da Meta não soube responder se a companhia pode identificar conteúdos de pornografia infantil de forma eficaz.

“Não sei explicar se nossas ferramentas de detecção são suficientes para impedir a transferência de fotos, mas o time da Meta está à disposição desta Comissão”, disse.

A chefe da Meta enfatizou que a

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