Vini Jr. é alvo de mais insultos por sua liderança antirracista, afirma Tebas
Vini Jr. se destaca na luta contra o racismo no futebol europeu, refletindo o aumento de ataques racistas.
Javier Tebas, presidente da La Liga, reconheceu em entrevista que a postura do atacante brasileiro Vini Jr. tem sido fundamental na luta contra o racismo no futebol europeu. Ele destacou que essa liderança tem gerado um aumento nos ataques racistas direcionados ao jogador do Real Madrid.
Tebas afirmou que a coragem de Vini Jr. em se manifestar contra o preconceito tem sido um fator determinante para os insultos que ele tem recebido. O presidente da liga mencionou que o jogador se tornou um símbolo na luta contra o racismo, o que, paradoxalmente, resultou em mais ataques.
O dirigente também admitiu que a La Liga não estava fazendo o suficiente para combater o racismo antes dos incidentes envolvendo o atacante. Ele reconheceu que as medidas anteriores eram inadequadas e que a situação precisava de uma mudança significativa.
Além disso, Tebas enfatizou a necessidade de outras competições europeias intensificarem seus esforços no combate ao preconceito racial, sugerindo que essa é uma responsabilidade que deve ser compartilhada por todo o esporte.
Recentemente, Vini Jr. denunciou um ato racista durante uma partida contra o Benfica, válida pelos playoffs da Champions League. O atacante argentino envolvido foi suspenso provisoriamente pela UEFA. Vini Jr. está programado para jogar novamente pelo Real Madrid em um confronto decisivo na competição.
Casos de racismo
O jogador já enfrentou diversas situações de racismo ao longo de sua carreira na Europa, com o primeiro registro ocorrendo em 2021 durante um clássico entre Barcelona e Real Madrid. Embora tenha havido uma denúncia, o caso foi arquivado.
Em março de 2024, Vini Jr. foi alvo de insultos racistas por torcedores do Atlético de Madrid, e o episódio mais recente ocorreu em um jogo da Copa do Rei contra o Albacete. A legislação espanhola, no entanto, limita a capacidade da La Liga de punir diretamente torcedores ou clubes por esses atos.
Atualmente, a liga encaminha denúncias a órgãos competentes, como a Real Federação Espanhola de Futebol e o Ministério Público, que são responsáveis por aplicar sanções. Tebas já defendeu medidas mais rigorosas, como a perda de pontos no Campeonato Espanhol e o fechamento de arquibancadas.
A primeira condenação por racismo no futebol espanhol ocorreu em 2024, e desde então houve cinco sentenças relacionadas a casos de discriminação. Recentemente, o Supremo Tribunal da Espanha classificou insultos racistas como crime de ódio, estabelecendo um precedente importante.
Em resposta a esses desafios, a La Liga lançou a plataforma “LALIGA VS Racism” para centralizar ações de combate ao racismo e, em setembro de 2024, adotou um protocolo da FIFA para lidar com incidentes de racismo em eventos esportivos.
Um levantamento recente identificou mais de 33.400 casos de discurso de ódio nas redes sociais, com Vini Jr. sendo alvo de 29% dessas mensagens, evidenciando a magnitude do problema que ainda persiste no futebol.
