Fenômeno inusitado leva areia do deserto do Saara até o Brasil

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Massa de poeira do Saara deve afetar o Brasil e América Latina nos próximos dias.

Uma massa de poeira proveniente do deserto do Saara, localizado no norte da África, está sendo transportada pelos ventos alísios sobre o Oceano Atlântico tropical. Esse fenômeno meteorológico deve atingir áreas do Norte e Nordeste do Brasil, além de regiões da América do Sul, Central e Caribe nos próximos dias.

Mapas de previsão indicam que a concentração de partículas suspensas no ar, tanto PM₁₀ quanto a fração mais fina — PM₂.₅ —, deve se elevar sobre partes do Brasil e de países vizinhos. A nomenclatura PM₂.₅ refere-se às partículas com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros, que são cerca de 30 vezes menores que um fio de cabelo. Por serem tão pequenas, elas têm mais facilidade em penetrar profundamente nos pulmões e até atingir a corrente sanguínea.

Desde o início da semana, sistemas de meteorologia têm reportado um ar mais turvo e a presença de poeira em níveis médios da atmosfera nos países do norte da América. A maior concentração é prevista para os dias seguintes, com expectativa de persistência até pelo menos o final da semana.

O deserto do Saara é a maior fonte de poeira mineral do mundo. As micropartículas são erguidas por ventos fortes e seguem o fluxo atmosférico dominante. À medida que a massa viaja, a fração mais leve e fina permanece suspensa por tempo e distância suficientes para alcançar o continente americano.

A elevação das concentrações de PM₂.₅ pode comprometer temporariamente a qualidade do ar, provocando irritação nos olhos e nas vias respiratórias. O alerta é especialmente relevante para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios crônicos. Autoridades de saúde recomendam que esses grupos vulneráveis limitem atividades ao ar livre ou utilizem proteção respiratória durante esses episódios.

Do ponto de vista climático, a poeira em suspensão também interfere na formação de nuvens e na ocorrência de chuvas, uma vez que o excesso de partículas compete pela umidade do ar. Além disso, a dispersão da luz pode resultar em pôr do sol com cores mais intensas ou visuais diferentes no horizonte.

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