Agronegócio planeja investir até 20% do orçamento de TI em inovação até 2026
O agronegócio brasileiro investirá em inovação tecnológica entre 10% e 20% do orçamento de TI em 2026.
O agronegócio no Brasil está se preparando para destinar uma parte significativa de seu orçamento de tecnologia da informação (TI) para iniciativas de inovação nos próximos anos. De acordo com uma pesquisa recente, a expectativa é que entre 10% e 20% do orçamento de TI seja alocado para esse fim em 2026, sinalizando uma mudança na abordagem do setor em relação à tecnologia.
A transformação digital no agronegócio está se intensificando, com a tecnologia deixando de ser um mero suporte e passando a ser um elemento central nas operações. As inovações estão impactando todas as áreas do negócio, desde a logística até a gestão de insumos e decisões estratégicas, refletindo uma nova era de eficiência e produtividade.
Embora a maioria dos orçamentos para TI esteja concentrada entre R$ 30,1 milhões e R$ 50 milhões, o investimento real tende a ser ainda mais abrangente. Muitas empresas estão buscando recursos de outras áreas para financiar suas iniciativas de inovação, indicando que a transformação digital se tornou uma responsabilidade compartilhada em todo o negócio.
Quando a tecnologia chega ao campo
A mudança na operação diária do agronegócio é clara. A eficiência, que antes era um conceito abstrato, agora se traduz na entrega precisa de insumos no momento certo, evitando atrasos e perdas. Essa nova abordagem está sendo adotada por cooperativas que buscam modernizar sua gestão logística.
Um exemplo notável é a digitalização da gestão logística na Coamo, que visa reduzir a dependência de registros manuais e aumentar a confiabilidade das informações de estoque. Essa modernização é crucial para atender a demanda de milhares de produtores em janelas operacionais cada vez mais curtas.
Os resultados dessa digitalização incluem a padronização de rotinas logísticas e ganhos significativos de eficiência no atendimento aos cooperados, demonstrando como a inteligência artificial e a automação estão redefinindo a produtividade diretamente no campo.
Rastreabilidade como ativo estratégico
A confiança nos dados também está se tornando um ativo estratégico. Em um mercado que valoriza critérios ambientais e financeiros, a capacidade de rastrear a origem dos produtos agrícolas e comprovar sua produção é essencial para agregar valor.
Iniciativas que combinam blockchain, internet das coisas e inteligência artificial estão sendo implementadas para garantir a rastreabilidade na produção. Essas tecnologias não apenas organizam os processos internos, mas também aumentam a transparência e fortalecem as relações com investidores e mercados internacionais.
Essa transição silenciosa está tornando os dados operacionais um fator econômico significativo, refletindo a importância crescente da informação no agronegócio.
IA lidera prioridades
As áreas de tecnologia no agronegócio estão focadas em soluções que possam gerar impacto imediato. Entre as prioridades para os próximos 12 meses, destacam-se:
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Inteligência artificial e aprendizado de máquina (71%)
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IA generativa (57%)
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Armazenamento, cópia de segurança e imutabilidade de dados (57%)
Outras iniciativas, como computação em nuvem pública (43%), automação avançada de processos (29%) e realidade aumentada (29%), estão em um segundo plano, reforçando a escolha por tecnologias que promovam a eficiência operacional.
Esses dados indicam que o agronegócio está passando por uma transformação menos visível do que em outros setores, mas que é potencialmente mais estrutural. A inovação está sendo integrada às rotinas produtivas, ajustando processos, reduzindo perdas e aumentando a previsibilidade no setor.
