União Soviética envia tartarugas ao espaço em 1968 e elas retornam para relatar a experiência

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Missão Zond 5: A primeira sonda a orbitar a Lua e retornar à Terra com uma curiosa tripulação.

Na noite de 14 para 15 de setembro de 1968, o centro de controle de Eupatoria estava repleto de tensão. Após a decolagem bem-sucedida da espaçonave Soyuz, os engenheiros enfrentavam problemas críticos que ameaçavam a missão Zond 5, destinada a orbitar a Lua.

Vasili Mishin, o projetista-chefe, observava atentamente os monitores. O ambiente, antes festivo, agora se tornava sombrio com cada tosse de Mishin, refletindo a gravidade da situação. Apesar da celebração inicial, a equipe rapidamente percebeu que a missão enfrentava sérios desafios.

Com uma expressão concentrada, Mishin começou a dar instruções precisas, e, após um tenso período de incerteza, a espaçonave 7K-L1 conseguiu resolver seu primeiro incidente. A reação em Moscou foi de alívio, e a atmosfera na sala de controle se iluminou novamente com a abertura de garrafas de vodca para comemorar a superação do obstáculo.

A Zond 5, que se tornaria a primeira sonda a orbitar a Lua e retornar à Terra, enfrentou dificuldades desde o início. A missão não apenas foi marcada por problemas técnicos, mas também pela inusitada tripulação a bordo, que incluía cinco moscas-das-frutas, vermes, plantas, bactérias e duas tartarugas, além de um manequim que simulava um cosmonauta.

Essas criaturas foram escolhidas para investigar os efeitos das viagens espaciais sobre organismos vivos. No entanto, a jornada não foi fácil. Durante a viagem, a espaçonave enfrentou contaminação em um de seus mecanismos e problemas com o sensor de localização da Terra, que estava mal instalado.

Na reentrada, as tartarugas tiveram que suportar uma descida violenta, com temperaturas extremas afetando a cápsula. Finalmente, em 21 de setembro, a Zond 5 pousou no Oceano Índico, onde foi recuperada por um navio que a levou de volta à URSS. Ao abrir a espaçonave, os técnicos encontraram as tartarugas em estado de estresse, tendo perdido peso e enfrentado dificuldades durante a missão.

Apesar de sua saúde comprometida, as tartarugas não sobreviveram ao exame pós-missão, sendo sacrificadas para estudos científicos. A Zond 5, no entanto, deixou um legado importante, tendo orbitado a Lua a cerca de 1.950 quilômetros de distância e capturado imagens valiosas do satélite natural.

Zond 5 e a curiosa comunicação espacial

O sucesso da missão despertou interesse internacional. No Observatório Jodrell Bank, em Manchester, um famoso radioastrônomo rastreou a espaçonave e interceptou mensagens que pareciam indicar uma comunicação humana, levantando especulações sobre uma missão tripulada ao redor da Lua. Na realidade, tratava-se de uma gravação para testar transmissões espaciais, com a voz de um cosmonauta envolvido na missão.

As tartarugas não foram as únicas a participar de missões espaciais. A Zond 6 também transportou uma carga biológica, embora com menos sorte, já que a cápsula despressurizou durante o retorno. As tartarugas retornaram em outras missões, incluindo a Zond 8 e a Soyuz 20, que as manteve no espaço por 90 dias.

Embora as tartarugas sejam notórias por suas frequentes viagens, não foram os únicos animais a voar para o espaço. Desde o primeiro voo de Yuri Gagarin, muitos outros animais, como macacos, cães, e até mesmo insetos, foram enviados em missões para estudar os efeitos do espaço sobre a vida.

A cadela Laika, que viajou a bordo do Sputnik 2, é uma das mais conhecidas, mas muitos outros animais, incluindo ratos e rãs, também contribuíram para a pesquisa espacial. Entre 1948 e 1961, dezenas de cães e macacos foram enviados ao espaço, com muitos deles não sobrevivendo às experiências.

Esses pioneiros, incluindo as tartarugas da Zond 5, abriram caminho para as futuras gerações de astronautas, contribuindo de forma significativa para a exploração espacial e o entendimento dos efeitos do espaço sobre os seres vivos.

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