Google realiza testes em buscador para evitar multa bilionária da União Europeia
Google inicia testes na Europa para aumentar visibilidade de concorrentes em seu mecanismo de busca.
O Google, sob a administração da Alphabet, está prestes a iniciar testes em seu mecanismo de busca na Europa. O objetivo é aumentar a visibilidade de concorrentes e minimizar o risco de novas penalidades por parte da Comissão Europeia.
A pressão regulatória, imposta pela Digital Markets Act (DMA), exige que empresas consideradas “gatekeepers” cumpram obrigações mais rigorosas. Em março do ano passado, o Google foi formalmente acusado de favorecer seus próprios serviços em buscas relacionadas a hotéis, voos e restaurantes, prejudicando concorrentes especializados.
A empresa planeja alterar a apresentação dos resultados de busca, exibindo simultaneamente links de buscadores verticais e serviços próprios do Google. A nova abordagem permitirá que mecanismos verticais mais bem posicionados apareçam automaticamente na página de resultados, sem que o usuário precise realizar nenhuma ação adicional.
Além disso, empresas do setor de turismo e transporte que oferecem dados em tempo real poderão ser destacadas acima ou abaixo dos buscadores especializados. Os testes iniciais devem focar nas pesquisas por hospedagem, com a intenção de expandir para voos e outros serviços posteriormente.
Até o momento, o Google vinha apresentando propostas para atender às exigências europeias, mas as mudanças ainda não haviam sido implementadas. Concorrentes do setor afirmaram que as propostas anteriores eram insuficientes para garantir uma competição justa.
Risco financeiro elevado
A DMA estipula penalidades que podem alcançar 10% do faturamento global anual de uma empresa em caso de descumprimento. Para o Google, isso representa um risco financeiro significativo, considerando que desde 2017 a empresa já acumulou cerca de 9,7 bilhões de euros em multas aplicadas por autoridades europeias por diversas infrações antitruste.
A intensificação da regulação europeia sobre as grandes empresas de tecnologia tem gerado tensões diplomáticas com os Estados Unidos. A ofensiva regulatória abrange não apenas questões de concorrência, mas também regras que exigem maior responsabilidade das plataformas na moderação de conteúdos ilegais ou prejudiciais.
Disputa com buscadores verticais
O atual embate envolve principalmente serviços de busca vertical, que operam em nichos específicos, como reservas de hotéis e passagens aéreas. Essas empresas argumentam que o Google utiliza sua posição dominante no mercado de busca geral para direcionar tráfego para seus próprios serviços, prejudicando a concorrência.
Com a reformulação do layout dos resultados, o Google busca demonstrar boa-fé regulatória e evitar uma decisão formal que resulte em sanções. A Comissão Europeia ainda não se pronunciou oficialmente sobre os detalhes das possíveis mudanças.
A Europa tem liderado a criação de marcos regulatórios mais rigorosos para conter práticas consideradas anticompetitivas, estabelecendo precedentes que podem influenciar outras jurisdições ao redor do mundo.
Procurada, a empresa não divulgou detalhes adicionais sobre o cronograma ou o formato definitivo das alterações. A expectativa é que os testes comecem em breve em diversos países europeus.
