André Mendonça autoriza quebra de sigilos de Lulinha a pedido da Polícia Federal
Quebra de sigilos de Lulinha é aprovada em meio a investigação da Polícia Federal.
A Polícia Federal solicitou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do STF, e ocorreu antes da aprovação de medida semelhante pela CPI que investiga irregularidades em benefícios do INSS.
O pedido da PF foi feito há cerca de um mês e a decisão de Mendonça foi divulgada após a CPI mista aprovar a quebra de sigilo em uma sessão marcada por confrontos entre parlamentares. O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, classificou a medida como “desnecessária”, afirmando que seu cliente estava disposto a colaborar com a investigação.
A defesa de Lulinha argumenta que ele já havia manifestado sua intenção de prestar esclarecimentos desde janeiro, quando solicitou acesso aos autos da investigação. A Polícia Federal investiga menções a Lulinha na Operação Sem Desconto, que apura desvios de aposentadorias do INSS. A informação sobre a investigação foi encaminhada a Mendonça, relator do inquérito.
Menções a Lulinha foram divulgadas anteriormente, e uma das linhas de investigação sugere que ele pode ter sido sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Em uma operação anterior, a PF investigou um pagamento de R$ 300 mil feito por Antunes a uma empresária amiga de Lulinha, totalizando R$ 1,5 milhão em parcelas.
A defesa de Lulinha expressou confiança de que a quebra de sigilo não revelará nenhuma participação dele nas fraudes do INSS. Os advogados da empresária Roberta Luchsinger, envolvida no caso, afirmaram que ela não tem relação com os descontos do INSS, destacando que sua atuação se limita à intermediação de negócios.
Durante a sessão da CPI, que também decidiu pela quebra de sigilos, houve confrontos entre parlamentares, resultando na suspensão da reunião. O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar, alegou a necessidade de investigar supostos pagamentos a um dirigente petista, que poderiam estar relacionados a Lulinha.
Gaspar mencionou mensagens interceptadas pela PF que sugerem que Roberta Luchsinger poderia atuar como intermediária financeira em transações ilegais. A confusão na sessão levou a um pedido de anulação da votação por parte de parlamentares da oposição, que alegaram irregularidades no processo.
O presidente da CPI, senador Carlos Viana, defendeu a legitimidade da votação, afirmando que a quebra de sigilo é uma medida necessária para a investigação. Ele ressaltou que o governo não obteve os votos necessários para barrar a proposta, e que a votação foi realizada de acordo com o regimento.
Viana comemorou a aprovação da quebra de sigilo, afirmando que a medida é em benefício da transparência e da apuração dos fatos. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, criticou a condução da CPI e acusou a oposição de tentar fraudar o processo.
A defesa de Lulinha reafirmou sua disposição em colaborar com a Justiça e criticou a quebra de sigilo como uma medida desnecessária, reiterando que seu cliente não está envolvido em irregularidades.
