Porto de Miritituba enfrenta filas de caminhões de até 30 km durante pico da colheita de soja

Compartilhe essa Informação

Filas de caminhões marcam a colheita de soja em Miritituba, Pará.

Pátios superlotados e longas filas de caminhões são a realidade enfrentada por motoristas que tentam acessar Miritituba, um distrito de Itaituba, no Pará. Esta região é uma das principais rotas para o escoamento da produção agrícola do Norte do Brasil, especialmente durante o pico da colheita de soja.

Relatos indicam que motoristas estão enfrentando esperas de até dois dias para descarregar suas cargas. As queixas incluem multas, falta de infraestrutura básica e dificuldades até para a passagem de ambulâncias. Para os motoristas, o tempo parado representa perda de renda significativa. “Você não ganha dinheiro parado dentro do caminhão”, destaca um condutor.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) aponta que a origem dos problemas não está nos terminais, mas sim no acesso ao distrito. As péssimas condições da estrada, que possui trechos de terra e partes deterioradas, são agravadas pelas chuvas, criando um verdadeiro gargalo no escoamento.

De acordo com o coordenador técnico da entidade, é imprescindível a manutenção regular das vias. “Quando chove, os caminhões não conseguem passar. Isso trava o descarregamento e gera congestionamento. Precisamos encontrar soluções para otimizar o escoamento”, afirma.

Diariamente, entre 2.500 e 3.000 carretas descarregam nos portos de Miritituba, que contam com diversos terminais. Os operadores garantem que as metas diárias são alcançadas, mas frequentemente os pátios ficam vazios devido à incapacidade de acesso dos caminhões. Mesmo com um sistema de agendamento, a rodovia não suporta o volume atual de tráfego.

A situação afeta diretamente Mato Grosso, o principal estado produtor que utiliza essa rota para escoar sua produção. No ano anterior, o estado enviou cerca de 17 milhões de toneladas pela região. Os produtores avaliam que parte do valor da soja se perde devido a esses contratempos. “O caminhão virou o silo da região. Quem paga essa conta é o produtor, que recebe menos pela saca”, comenta uma liderança do setor.

Em Marcelândia, no norte de Mato Grosso, o presidente do sindicato rural, Marcelo Cordeiro, relata as dificuldades enfrentadas por produtores e transportadoras na BR-163, que foi concedida à Via Brasil BR-163.

Os produtores criticam os altos valores do pedágio, que podem chegar a R$ 676,80 para caminhões de nove eixos, enquanto buracos e acidentes são comuns na estrada. “É injusto com o produtor e com o motorista. É desumano”, afirma o representante sindical.

Além dos gargalos logísticos agravados pelas chuvas, o setor produtivo também critica a carga tributária e a retomada do Fethab 2, anunciado anteriormente como provisório. Entidades do agronegócio estão dialogando com o governo estadual e a Assembleia Legislativa para suspender a cobrança, pedindo um equilíbrio tributário e investimentos em infraestrutura para garantir o escoamento eficiente da safra.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *