Operação Ascaris: investigação aponta servidor de São Marcos como peça central em esquema de desvio e venda de doações às vítimas da enchente
Denúncias e provas indicam uso de câmaras frias da prefeitura como depósito de donativos, com possíveis vendas em brechós da região e envolvimento de servidor público de carreira
Uma investigação em andamento no âmbito da Ministério Público do Rio Grande do Sul com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) revelou indícios de que um servidor concursado da Prefeitura de São Marcos estaria entre os principais alvos da Operação Ascaris — deflagrada para apurar o desvio e a venda irregular de donativos arrecadados para vítimas das enchentes de 2024 na Serra Gaúcha.
Segundo relatos obtidos por meio de fontes ouvidas pela reportagem do portal de noticias São Marcos On-line, o servidor, que ocupava cargo na Secretaria da Agricultura e chegou a exercer função de secretário interino, teria utilizado câmaras frias municipais e outros espaços públicos do município como depósitos de doações, inclusive materiais que deveriam ser encaminhados às famílias atingidas pelo desastre.
Conforme a denúncia de uma das investigadas — que inicialmente integrou o grupo e acabou colaborando com a apuração — os gêneros, roupas e itens arrecadados passaram por triagem em prédios públicos. Parte dessas mercadorias, segundo ela, teria sido posteriormente vendida em brechós e estabelecimentos comerciais da região, configurando possível esquema de reembolso financeiro irregular e enriquecimento ilícito.
A operação, que cumpriu mandados de busca e apreensão em Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul, também já resultou na apreensão de diversos itens ainda não vendidos — incluindo roupas, fraldas, utensílios e outros produtos destinados às vítimas — e bloqueio de contas bancárias com valores milionários.
Procurado pela reportagem do portal, o prefeito de São Marcos afirmou que acompanha as investigações e que aguardará os desdobramentos oficiais antes de adotar eventuais medidas administrativas em relação ao servidor suspeito. Ele ressaltou ainda que, no início de sua gestão, houve orientação para a retirada imediata de todo o material armazenado em câmaras frias municipais, prática que teria ocorrido após as primeiras suspeitas de irregularidades.
O nome do servidor ainda não foi oficialmente divulgado, e até o momento não há denúncia formal apresentada pelo MPRS contra ele, embora sua atuação seja apontada por fontes e investigados envolvidos no procedimento.
Fontes ligadas à investigação afirmam que a Operação Ascaris investiga um grupo de ao menos oito pessoas, com atuação em diferentes frentes — da arrecadação à destinação final dos produtos — e que os indícios levantados apontam possíveis crimes de apropriação indébita, organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros delitos correlatos.
As apurações continuam em curso, com diligências, quebra de sigilos e coleta de novas provas ordenadas pelo Ministério Público para esclarecer a extensão do esquema e identificar todos os envolvidos.
Fotos/Créditos: São Marcos On-line
