Redução da jornada de trabalho pode impactar economia e produtividade no Rio Grande do Sul, alerta Fiergs
Proposta de emenda constitucional gera preocupações entre indústrias gaúchas
Em discussão no Congresso Nacional e contando com o respaldo do governo federal, a proposta de emenda constitucional (PEC) que propõe a redução da jornada de trabalho no Brasil está gerando apreensão entre os dirigentes da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
A entidade expressou sua posição contrária à medida em um comunicado recente. De acordo com a Fiergs, a alteração nas normas trabalhistas pode ter um impacto negativo na economia e na competitividade das indústrias do estado.
O documento destaca que as propostas que variam desde a transição para uma carga semanal de 40 horas até a fixação constitucional de 36 horas, incluindo a adoção de uma semana de trabalho de quatro dias, podem elevar os custos operacionais em um momento já desafiador para o setor produtivo.
A Fiergs alerta que a redução compulsória da jornada sem a correspondente diminuição dos salários resultaria em um aumento automático dos custos de mão de obra. Isso, por sua vez, afetaria a geração de empregos e a capacidade de investimento das indústrias, uma vez que a mesma remuneração seria distribuída em menos horas trabalhadas.
A situação é ainda mais alarmante dado o cenário de estagnação da produtividade no Brasil. Dados comparativos mostram que a produtividade do trabalhador brasileiro é cerca de 25% da de um trabalhador norte-americano, resultando em uma produção por trabalhador quatro vezes inferior em período equivalente. Entre 1990 e 2024, o crescimento da produtividade no Brasil foi de apenas 0,9% ao ano, muito abaixo de outros países emergentes, como a China e a Coreia do Sul.
O informe também ressalta que experiências internacionais demonstram que países que conseguiram reduzir a jornada de trabalho de forma sustentável o fizeram com base em ganhos robustos de produtividade e investimentos em educação e tecnologia. A Coreia do Sul, por exemplo, conseguiu uma redução da jornada de 44 para 40 horas semanais em um período de crescimento médio de produtividade de 4,2% ao ano.
Em contraste, a França, que reduziu sua jornada de 39 para 35 horas, enfrentou um aumento nos custos, perda de competitividade e desaceleração no crescimento da produtividade, que permaneceu em 0,9% ao ano.
