Queda no preço do cacau não reflete nos custos do chocolate para a Páscoa
Preços do chocolate seguem altos, impactando consumidores na Páscoa.
Os brasileiros se preparam para enfrentar mais um ano de preços elevados na compra de chocolate para a Páscoa.
Dados recentes mostram que, na prévia da inflação de fevereiro, o chocolate em barra e os bombons acumularam uma alta de 26% nos últimos 12 meses.
Embora as cotações do cacau estejam em queda no mercado, as amêndoas utilizadas na produção dos ovos foram adquiridas quando os preços estavam em níveis recordes, segundo analistas do setor.
Entretanto, essa situação não deve levar à falta de amêndoas nem pressionar os preços no Brasil, uma vez que a demanda da indústria por cacau está em declínio.
O mercado brasileiro é majoritariamente abastecido pela produção nacional, com as importações ocorrendo de forma sazonal, especialmente no início do ano, durante a entressafra.
Se necessário, o Brasil pode recorrer a importações do Equador, que está passando por uma grande safra.
A seguir, entenda:
- por que o chocolate está caro e quando os preços devem baixar;
- o que motivou a disparada de preços;
- por que o preço do cacau caiu no campo.
Por que o chocolate ainda está caro? Vai baixar?
Embora o preço do cacau pago aos agricultores tenha começado a cair no ano passado, essa redução ainda não foi repassada ao consumidor. Isso se deve ao fato de que a indústria realiza compras antecipadas da matéria-prima.
As fabricantes de chocolate costumam adquirir manteiga e pó de cacau com uma antecedência de 6 a 12 meses.
“Para a produção dos chocolates desta Páscoa, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada pelos subprodutos do cacau. Hoje, esse valor já caiu para cerca de US$ 3 mil.”
Enquanto os produtores recebem menos pelo cacau, os consumidores continuam pagando preços altos pelo chocolate, evidenciando que a indústria está aproveitando a situação para aumentar seus lucros.
Após anos de margens apertadas devido ao déficit global de cacau, a indústria agora prioriza a recuperação de suas margens de lucro antes de considerar repassar qualquer redução ao consumidor.
Analistas preveem que a queda nos preços no supermercado deve ocorrer a partir do segundo semestre deste ano.
Se os preços internacionais e domésticos do cacau permanecerem baixos, uma normalização gradual é esperada ao longo do ano.
O que motivou a disparada de preços?
O aumento do preço do chocolate é resultado de uma significativa diminuição na colheita de cacau, tanto no Brasil quanto nos principais países produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana.
A indústria brasileira depende principalmente das amêndoas nacionais, mas também importa de países africanos para atender parte da demanda.
Com a escassez de fornecimento, os preços domésticos aumentaram mais rapidamente do que os internacionais.
“As regiões de maior poder aquisitivo, como a Europa e os Estados Unidos, competiram pelo pouco cacau africano disponível, agravando a escassez para outros mercados.”
Em janeiro de 2025, o preço do cacau atingiu US$ 10 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, um aumento significativo em relação ao ano anterior.
Por que o preço do cacau caiu no campo?
Os preços do cacau começaram a cair para os produtores no ano passado, especialmente após julho, devido a uma recuperação nas colheitas no Brasil e em países africanos.
Além disso, o aumento nas importações também foi favorecido pela queda do dólar.
Contudo, alguns analistas acreditam que a redução nos preços no Brasil é mais atribuída à falta de demanda do que a uma recuperação na produção.
“A alta excessiva do preço do cacau gerou uma mudança estrutural nas fórmulas dos chocolates: as indústrias reduziram o tamanho das barras e substituíram a manteiga de cacau por outras gorduras e óleos.”
Com a diminuição das compras de subprodutos do cacau, as moageiras também
