Conflito entre EUA, Israel e Irã pode impactar preços de fertilizantes e combustíveis, pressionando o setor agroindustrial
Conflito no Oriente Médio pode impactar custos do agronegócio brasileiro.
A escalada do conflito no Oriente Médio acende um alerta para o agronegócio brasileiro. A instabilidade na região pode provocar alta nos preços do petróleo, fertilizantes e frete internacional, pressionando ainda mais os custos de produção no campo.
Antes mesmo do agravamento das tensões, os preços dos fertilizantes já estavam em ascensão. A ureia nos portos brasileiros, na última semana de janeiro, estava cerca de 10% mais cara em comparação ao mesmo período do ano anterior. Já o superfosfato simples e o cloreto de potássio acumulavam alta próxima de 20% na comparação anual.
O movimento de alta não é exclusivo do Brasil. A valorização é observada em diferentes mercados, influenciada por fatores sazonais e geopolíticos. Especialistas alertam que a instabilidade na região do Oriente Médio, que é estratégica para a produção de fertilizantes nitrogenados, tende a gerar volatilidade e reforçar a tendência de aumento nos preços.
Petróleo
O principal canal de impacto é o petróleo. O aumento da presença militar na região, incluindo movimentações no Estreito de Ormuz, rota crucial para cerca de 20% da energia mundial, eleva o chamado “prêmio de risco” no mercado internacional.
Com a alta no preço do petróleo, os combustíveis também encarecem, o que tem um efeito direto sobre:
- custo do diesel nas propriedades rurais;
- frete marítimo e transporte interno;
- produção de fertilizantes nitrogenados, que estão atrelados ao gás natural.
A ureia, por exemplo, tem seu custo fortemente vinculado ao gás natural. Um eventual conflito mais amplo no Golfo Pérsico pode elevar o preço da matéria-prima, mesmo sem uma interrupção total nas rotas comerciais, bastando a insegurança para pressionar as cotações.
Brasil paga a conta mesmo fora do conflito
A tensão no Oriente Médio tende a elevar os prêmios de risco geopolítico, afetando combustíveis e fretes marítimos. O agronegócio brasileiro, que depende fortemente de insumos importados, pode rapidamente enfrentar impactos significativos. Em um cenário de juros elevados, crédito restrito e margens apertadas, um novo choque nos fertilizantes pode aumentar o custo por hectare e pressionar a rentabilidade do produtor.
Além disso, outros fatores globais já vinham sustentando os preços, como a retomada da demanda nos EUA para a safra de primavera, possíveis restrições nas exportações chinesas de fertilizantes e a expectativa de novas compras por parte da Índia.
Com a tensão militar envolvendo EUA, Israel e Irã, o risco geopolítico se soma a um cenário já apertado, o que pode complicar ainda mais a situação do agronegócio brasileiro.
