Empresa desenvolve computadores movidos por células cerebrais humanas capazes de rodar Doom

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Startup australiana inova ao utilizar neurônios humanos em computação.

Uma startup de biotecnologia da Austrália está revolucionando o campo da computação com o desenvolvimento do CL1, um computador que utiliza neurônios humanos vivos como núcleo de processamento. Este sistema já demonstrou sua capacidade ao rodar o clássico jogo Doom, lançado em 1993, que se tornou um marco em testes de hardware ao longo dos anos.

A demonstração foi realizada através da plataforma Cortical Cloud, onde um vídeo foi publicado, mostrando o funcionamento do dispositivo. O CL1 é o primeiro sistema comercial da empresa, que ganhou destaque em 2022 ao ensinar um aglomerado de 800 mil neurônios a jogar Pong. Agora, a tecnologia evoluiu para um hardware projetado especificamente para integrar tecido biológico e componentes eletrônicos.

Como funciona o computador biológico?

Diferentemente das redes neurais tradicionais, que são simuladas por software, o CL1 utiliza neurônios reais. As células são cultivadas a partir de amostras de pele ou sangue de doadores adultos, que são reprogramadas em células-tronco pluripotentes induzidas e, posteriormente, diferenciadas em neurônios corticais.

O tecido vivo é mantido em uma câmara selada, conectada a um sistema que controla a temperatura, a composição de gases e a filtragem de resíduos. Sob condições ideais de laboratório, os neurônios podem permanecer viáveis por até seis meses, garantindo a funcionalidade do sistema.

O hardware é estruturado em torno de 59 eletrodos dispostos em uma matriz plana de metal e vidro. Essa grade densa de contato, aliada a um sistema avançado de processamento de sinais, reduz a latência para níveis inferiores a um milissegundo, permitindo respostas quase tão rápidas quanto as de um processador convencional.

Para gerenciar esse substrato biológico, a empresa desenvolveu um sistema operacional chamado biOS, que é responsável por enviar e receber estímulos elétricos. Quando expostos a jogos como Pong ou Doom, os neurônios formam padrões de resposta auto-organizados, baseados em sinais de recompensa e correção.

Cada unidade do CL1 tem um custo aproximado de US$ 35 mil (cerca de R$ 181 mil), com opções de desconto para configurações de rack destinadas a instituições de pesquisa. As primeiras entregas comerciais estão programadas para 2025, e o sistema mantém conectividade em nuvem para monitoramento e implementação remota de código.

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