Guerra no Irã pode impactar economia brasileira em ano eleitoral
Consumo das famílias permanece estagnado no final de 2025, refletindo desafios econômicos.
O consumo das famílias no Brasil apresentou estagnação no quarto trimestre de 2025, um reflexo de um cenário econômico desafiador. Esse período marcou o crescimento mais baixo da economia brasileira desde a queda de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, quando o país enfrentou os impactos da pandemia de covid-19.
Embora o resultado tenha correspondido às expectativas do mercado, que previa uma desaceleração econômica, a situação é preocupante. A taxa Selic, que se manteve em 15% desde junho de 2025, encareceu o crédito, tornando mais difícil para empresas e famílias obterem empréstimos. Essa realidade atua como um freio na atividade econômica, já que a taxa de juros é uma ferramenta crucial para o controle da inflação pelo Banco Central.
Para 2026, as projeções indicam uma nova desaceleração, com um crescimento do PIB estimado em apenas 1,8% durante um ano eleitoral. Esse cenário é agravado por fatores externos, como a guerra no Irã, que pode elevar os preços do petróleo e pressionar ainda mais a inflação, mantendo os juros altos por um período prolongado.
A instabilidade geopolítica traz incertezas adicionais ao crescimento econômico. A alta nos preços do petróleo, resultante de conflitos, pode encarecer combustíveis e aumentar os custos de transporte, impactando a inflação e, consequentemente, a política monetária.
Além disso, a manutenção de juros elevados limita o acesso ao crédito, o que afeta diretamente o consumo das famílias. A incerteza internacional também desestimula investimentos produtivos, criando um ambiente menos favorável para o crescimento econômico.
Os dados do PIB revelam um crescimento modesto de apenas 0,1% no último trimestre de 2025 em relação ao anterior, com uma alta de 1,8% em comparação ao mesmo período do ano passado. O setor de serviços e a agropecuária foram os principais responsáveis por esse crescimento, enquanto a indústria enfrentou uma queda de 0,7%.
O consumo do governo cresceu 1%, mas o consumo das famílias permaneceu estável, sem variação. A queda acentuada de 3,5% nos investimentos também contribuiu para a modesta performance econômica. No exterior, as exportações aumentaram 3,7%, enquanto as importações caíram 1,8%, o que ajudou a balança comercial a se manter favorável.
O elevado endividamento de famílias e empresas é um fator que explica a estagnação do consumo e a queda dos investimentos. Apesar de um mercado de trabalho dinâmico e uma renda em expansão, os efeitos positivos foram inibidos pela alta dos juros e pela inflação crescente.
Em 2025, o PIB foi afetado por uma desaceleração em diversos setores, com a indústria e os serviços apresentando crescimento reduzido. No entanto, a agropecuária teve um desempenho positivo, impulsionada por uma safra recorde. O consumo das famílias cresceu apenas 1,3%, muito abaixo dos 5,1% registrados em 2024.
O cenário para 2026 continua incerto, com a possibilidade de que fatores externos, como a guerra no Irã e suas repercussões no mercado de petróleo, afetem o crescimento do PIB, limitando a recuperação econômica no curto e médio prazo.
