Relação entre a causa palestina e o conflito com o Irã é tema de análise
Conflito no Oriente Médio: O impacto do ataque do Hamas e as repercussões sobre o Irã.
O ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 marcou uma nova fase no conflito no Oriente Médio, intensificando as tensões em torno dos territórios palestinos. Analistas apontam que as ações contra o Irã podem ser vistas como uma consequência indireta dessa guerra, refletindo a fragilidade da situação política e econômica da região.
Os governos de Israel e dos Estados Unidos têm se beneficiado das dificuldades econômicas enfrentadas pelo Irã, exacerbadas por sanções ocidentais. As instabilidades políticas internas no Irã, evidenciadas por protestos violentos, têm sido utilizadas como justificativa para reduzir o apoio a grupos armados que compõem o Eixo da Resistência, liderados por Teerã.
Esse Eixo inclui organizações como o Hezbollah, Hamas e os Huthis no Iémen, que se opõem à política de Israel e dos EUA no Oriente Médio. A queda do governo de Bassar al-Assad na Síria, aliada do Irã, também é vista como uma consequência da intensificação do conflito, que visa desarticular essa rede de resistência.
Especialistas em relações internacionais, como Bruno Huberman, ressaltam que as agressões contra o Irã são uma das repercussões diretas do ataque de outubro, uma vez que Teerã é considerado o principal adversário das políticas de Washington e Tel-Aviv na região. Desde a Revolução Iraniana, a solidariedade com a causa palestina tem sido central na política iraniana, o que explica o enfrentamento contínuo.
Huberman enfatiza que a relevância do Irã para a questão palestina é significativa, especialmente para grupos que buscam uma revolução armada e a libertação nacional. A possível queda do regime iraniano poderia permitir que EUA e Israel reestruturassem o Oriente Médio conforme seus interesses, facilitando a anexação da Cisjordânia por Israel.
Desde o cessar-fogo em Gaza, Israel tem avançado na colonização e anexação de territórios na Cisjordânia, com novas regras que facilitam a compra de terras palestinas por israelenses. Em 2025, um número alarmante de palestinos foi expulso de suas residências, evidenciando a continuidade da ocupação.
Mudança de cenário
Embora a queda do Irã possa alterar o cenário, não inviabiliza a causa palestina. O apoio iraniano à luta armada contrasta com a assistência de outros países, que tendem a focar em projetos humanitários. Grupos como Hezbollah e Huthis, que recebem apoio de Teerã, têm intensificado suas ações contra Israel em solidariedade à Gaza.
Direito internacional
Analistas divergem sobre a relação entre o ataque de outubro e as agressões ao Irã. A professora Rashmi Singh argumenta que a ação de Israel em Gaza e na Cisjordânia tem normalizado a aplicação seletiva do direito internacional, permitindo que violações sejam ignoradas ou justificadas por potências ocidentais.
Singh destaca que a Palestina tem sido alvo de genocídio e bombardeios ilegais, com o ocidente frequentemente elogiando ações israelenses como “estrategicamente brilhantes”. Essas violações ocorrem em meio ao silêncio ou à cumplicidade de países europeus e norte-americanos.
Embora o Irã forneça apoio a grupos de resistência palestinos, Singh ressalta que a causa palestina não depende exclusivamente de atores externos, e que o apoio externo é apenas um dos fatores que influenciam a luta pela independência.
A professora também alerta que Israel tem utilizado a guerra como pretexto para expandir sua ocupação territorial, com a situação em Gaza se deteriorando novamente, desconsiderando acordos de cessar-fogo e intensificando a opressão sobre os palestinos na Cisjordânia.
Influência do contexto
Outros analistas, como Karina Stange Caladrin, afirmam que o ataque do Hamas não pode ser visto isoladamente como uma justificativa para as ações de Israel e EUA contra o Irã. A guerra em Gaza e a escalada de conflitos na Cisjordânia criaram um novo contexto de segurança, levando Israel a tratar o Eixo de Resistência como uma rede integrada.
Caladrin sugere que a guerra contra o Irã pode desviar a atenção da agenda palestina, reduzindo o apoio que