Mendonça desobriga Vorcaro de comparecer à CPI do Crime Organizado

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Ministro do STF autoriza mudanças no depoimento de banqueiro em investigação.

O ministro do STF, André Mendonça, decidiu retirar a obrigatoriedade de Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, comparecer à CPI do Crime Organizado. A decisão foi publicada na terça-feira, 3 de março de 2026, após um pedido do próprio banqueiro.

Se optar por comparecer, Vorcaro terá o direito de permanecer em silêncio. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar em São Paulo e, caso decida ir à CPI em Brasília, deverá ser transportado pela Polícia Federal, sendo proibido de utilizar qualquer aeronave particular.

A convocação de Vorcaro foi aprovada na semana anterior pela CPI, a pedido do senador Alessandro Vieira. O requerimento se baseia em investigações que apuram a atuação do banqueiro em um esquema que envolve instituições financeiras e possíveis práticas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

O senador mencionou, ainda, um possível envolvimento de facções criminosas nas operações realizadas pelo Banco Master e pela Reag Trust, que estão sob investigação na operação Carbono Oculto.

Na sua decisão, Mendonça destacou a importância da CPI, mas reafirmou a garantia constitucional de qualquer investigado contra a autoincriminação. Ele ressaltou que o direito à não autoincriminação inclui a liberdade de decidir comparecer ou não, sem que haja sanções pelo não comparecimento.

O ministro já havia tomado decisões semelhantes em casos anteriores, como no de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, e em relação a irmãos do ministro Dias Toffoli. Em 27 de fevereiro, Mendonça autorizou o transporte de Vorcaro em um avião da PF para um depoimento na CAE do Senado, agendado para 10 de março, onde o investigado sinalizou a intenção de comparecer.

BANCO MASTER

Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, durante a operação Compliance Zero, que investiga uma suposta fraude bilionária no Sistema Financeiro Nacional, com prejuízos estimados em até R$ 12 bilhões.

A investigação aponta que o esquema envolvia a emissão de títulos de crédito de alto rendimento, como CDBs, utilizados para financiar fundos nos quais o próprio banco era o único cotista, inflacionando artificialmente os resultados.

O caso está atualmente em tramitação no Supremo Tribunal Federal, com a relatoria a cargo de André Mendonça, após a saída do ministro Dias Toffoli do processo em 12 de fevereiro.

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