Mendonça critica e expressa lamento pela posição da PGR sobre prisão de Vorcaro
Ministro do STF autoriza nova fase da operação Compliance Zero, divergindo da PGR.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu autorizar a terceira fase da operação Compliance Zero, realizada em 4 de março de 2026. Essa decisão contrasta com a posição da Procuradoria Geral da República, que considerou prematuro impor medidas cautelares contra Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e outros envolvidos na ação.
Segundo a representação da Polícia Federal que fundamentou a decisão, Vorcaro estaria à frente de um núcleo dedicado a monitorar e intimidar adversários. A investigação revelou mensagens de Vorcaro que sugerem a intenção de forjar um assalto contra um jornalista, além de ameaças a uma empregada.
A Procuradoria Geral da República, sob a liderança de Paulo Gonet, argumentou que não havia evidências de perigo iminente que justificassem a imposição de medidas cautelares. Gonet afirmou que não poderia apoiar os pedidos cautelares, considerando-os inadequados.
Em resposta, Mendonça expressou sua discordância em relação à avaliação da PGR. Ele destacou que existiam indícios substanciais de crimes que poderiam afetar a integridade física e moral de cidadãos, jornalistas e autoridades públicas. O ministro também mencionou o acesso indevido a sistemas sigilosos de instituições como a Polícia Federal e a Interpol.
O ministro enfatizou que os crimes investigados envolvem valores bilionários e podem ter um impacto significativo no sistema financeiro do país. Ele também apontou que há evidências de tentativas de obter informações sigilosas sobre investigações em curso e de monitoramento de autoridades, o que representa um risco real de interferência nas investigações.
A investigação revelou que Vorcaro dava ordens diretas para atos de intimidação contra concorrentes, ex-empregados e jornalistas que ameaçavam seus interesses. Além disso, foram identificados registros que indicam que ele teve acesso prévio a informações relacionadas a diligências investigativas.
Como resultado das investigações, foram determinadas prisões preventivas de vários indivíduos, incluindo Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa, e outros associados que atuaram na intimidação de adversários. Também foram autorizadas buscas e apreensões em endereços relacionados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais.
Mendonça ordenou o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens que podem totalizar até R$ 22 bilhões. A decisão também incluiu a identificação de funcionários do Banco Central que supostamente foram cooptados por Vorcaro e sua organização.
Os funcionários mencionados foram afastados de suas funções e proibidos de manter contato com testemunhas ou outros investigados. Além disso, foi determinado o uso de tornozeleira eletrônica e a entrega de passaportes à Polícia Federal.
As investigações, que tiveram início em 2024, foram motivadas por indícios de fabricação e venda de títulos de crédito falsos e a circulação de ativos podres no Sistema Financeiro Nacional. O Banco Master e seus gestores estão no centro dessas investigações, que envolvem práticas fraudulentas e lavagem de dinheiro.
A operação também resultou na suspensão por tempo indeterminado de várias empresas ligadas ao esquema investigado, refletindo a gravidade das acusações e a extensão da operação.
