Prefeito de Macapá renuncia ao cargo após afastamento pelo STF
Prefeito de Macapá renuncia ao cargo após afastamento por suspeitas de corrupção.
O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), apresentou oficialmente seu pedido de renúncia ao cargo, após ser afastado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
A Polícia Federal (PF) investiga Dr. Furlan e o vice-prefeito, Mario Neto, por suspeitas de desvio de recursos federais destinados à construção do Hospital Geral Municipal. As investigações levantam questões sérias sobre a gestão financeira da prefeitura.
O comunicado de renúncia foi enviado em ofício à Câmara Municipal de Macapá na última quinta-feira (5). No documento, Furlan expressou gratidão ao povo macapaense pela confiança depositada, esperando que essa confiança perdure mesmo após sua saída.
Além disso, no ofício, Furlan mencionou que sua renúncia se deve à sua intenção de concorrer ao cargo de governador do estado nas próximas eleições, conforme exigido pela Constituição Federal, que requer a renúncia para tal candidatura.
Após o afastamento do prefeito e do vice, o presidente da Câmara de Vereadores de Macapá, Pedro dos Santos Martins, conhecido como Pedro DaLua (União Brasil), assumiu interinamente a prefeitura. A vereadora Margleide Alfaia (PDT) também assumiu a presidência da Câmara Municipal de forma interina.
Investigações de Fraude
Dr. Furlan é alvo da operação Paroxismo, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações relacionadas a um contrato da Secretaria Municipal de Saúde. As investigações revelam indícios de um esquema criminoso que envolve tanto agentes públicos quanto empresários, com o objetivo de direcionar licitações e desviar recursos públicos.
Os indícios apontam para uma possível manipulação na licitação que resultou na contratação da empresa Santa Rita Engenharia Ltda., cujo contrato foi firmado por aproximadamente R$ 70 milhões. A PF identificou que a proposta da empresa era quase idêntica ao orçamento elaborado pela prefeitura, sugerindo acesso prévio aos critérios de aprovação da licitação.
Movimentações Financeiras Suspeitas
Após a assinatura do contrato, a PF relatou uma movimentação financeira atípica entre os sócios da empresa, com 42 saques realizados por Rodrigo Moreira, totalizando R$ 7,4 milhões, e 17 saques feitos por Fabrizio Gonçalves, somando R$ 2,4 milhões. Essas transações ocorreram logo após os repasses do município, levantando suspeitas sobre o uso dos recursos.
As investigações ainda indicam que parte dos valores pode ter sido transportada em veículos de propriedade de Furlan, além de transferências realizadas pela Santa Rita Engenharia para contas ligadas à ex-esposa e à atual companheira do prefeito.
Decisão de Afastamento
O afastamento de Dr. Furlan e Mario Neto foi justificado pelo ministro Flávio Dino, que destacou o risco de que a permanência dos investigados nos cargos poderia comprometer a investigação, permitindo acesso a documentos e dados relevantes. Dino também alertou que, enquanto estiverem no cargo, ambos poderiam continuar a cometer crimes relacionados a processos licitatórios.