Comissão da CNA afirma que especulações sobre guerra têm como objetivo apenas reduzir preço do boi gordo

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Especulações sobre conflitos internacionais não afetam significativamente o mercado de carne bovina no Brasil.

O presidente da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte acredita que as especulações sobre a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos têm como objetivo desestruturar o mercado do boi gordo. Essa situação surge em um contexto de menor oferta de animais e redução das escalas de abate, fatores que, segundo ele, são altistas.

O fechamento do estreito de Ormuz, uma retaliação da Guarda Revolucionária iraniana, não impacta de maneira significativa as exportações de carne bovina brasileira. Tal medida é utilizada pela indústria frigorífica para frear temporariamente as negociações.

O estreito de Ormuz é crucial para o setor energético, afetando o petróleo e o gás natural. Contudo, representa apenas 2% a 3% do fluxo global de contêineres, o que diminui sua relevância para o comércio de carne.

A China se destaca como a principal compradora internacional da proteína bovina do Brasil, respondendo por quase 50% das importações. O Brasil contorna o estreito de Ormuz ao seguir rotas pela África, especialmente pelo Cabo da Boa Esperança, evitando assim o conflito. Outros grandes mercados, como Estados Unidos, Chile e México, também possuem rotas que não dependem do estreito.

As exportações para o Oriente Médio representaram 6,8% da receita total e 6,5% do volume embarcado em 2025. Quando se considera apenas os países que cercam o estreito de Ormuz, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, essa participação cai para menos de 4%. No entanto, isso não indica que esses países abandonarão a compra da carne brasileira ou que não haverá redirecionamento nas rotas comerciais.

Um exemplo da resiliência do fluxo comercial é observado na cadeia de carne de aves, que já está reestabelecendo suas operações, com relatos de retomada de embarques por meio de outras rotas, como o Canal de Suez.

Entre janeiro de 2026 e início de março, a arroba do boi gordo valorizou 9% na praça-base São Paulo, impulsionada pela alta demanda de exportação, pelo consumo interno robusto e pelas chuvas que beneficiaram pastagens. Esses fatores permitiram que os pecuaristas retivessem o gado e influenciassem o ritmo das negociações, encurtando as escalas de abate.

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