Produtores de arroz enfrentam atrasos e cancelamentos na entrega de diesel
Produtores enfrentam dificuldades na entrega de diesel e alta nos preços em meio a crise no setor arrozeiro.
Produtores no Rio Grande do Sul estão enfrentando atrasos e cancelamentos na entrega de óleo diesel, conforme informações da Federação das Associações de Arrozeiros do estado (Federarroz). A situação foi divulgada em uma nota nesta sexta-feira.
A entidade atribui os atrasos ao que seria um suposto desabastecimento, mesmo com um aumento superior a R$ 1,20 por litro do combustível registrado nas últimas horas. Essa elevação nos preços ocorre em um momento crítico para os produtores, que já lidam com uma das maiores crises de preços da atividade arrozeira.
Atualmente, a saca de arroz é comercializada em torno de R$ 55, enquanto o custo de produção gira entre R$ 85 e R$ 90, dependendo do sistema utilizado. Esta disparidade entre preços pode agravar ainda mais a situação dos agricultores.
Anderson Belloli, diretor jurídico da Federarroz, mencionou que a federação está monitorando a situação e que quaisquer indícios de irregularidades na cadeia de abastecimento poderão resultar em medidas legais. A preocupação se intensifica, já que os produtores estão iniciando a colheita da safra 2025/26, uma fase que demanda um grande volume de combustível para a operação das máquinas e transporte da produção.
A falta de diesel pode afetar não apenas os custos da produção, mas também a oferta do produto, refletindo em preços mais altos ao consumidor. A Federação planeja solicitar esclarecimentos à Petrobras sobre os relatos de desabastecimento na região.
Aumento na mistura de biodiesel
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao Ministério de Minas e Energia (MME) o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel de 15% para 17%, conhecido como B17. Essa solicitação surge em meio a mudanças no mercado internacional de petróleo, influenciadas por conflitos no Oriente Médio.
Recentemente, o preço do barril de petróleo Brent subiu para US$ 84, representando um aumento de até 20% em relação ao final de fevereiro. O presidente da CNA, João Martins, destacou que o biodiesel se apresenta como uma alternativa competitiva, com potencial para conter futuras elevações de preços para os usuários de transporte no Brasil, incluindo o agronegócio.
