Deputado denuncia Campos Neto à PGR por suposta omissão na supervisão do Banco Master

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Deputado pede investigação contra ex-presidente do Banco Central por omissão na supervisão do Banco Master.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a abertura de uma investigação criminal contra Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. A acusação gira em torno de uma suposta omissão na supervisão do Banco Master, uma instituição financeira que enfrentou sérios problemas de liquidez.

A representação inclui um pedido para que sejam requisitados documentos internos do Banco Central relacionados à supervisão do Banco Master. Além disso, solicita que Campos Neto e outros funcionários envolvidos nas decisões sejam convocados para prestar depoimento.

Até o momento, Campos Neto não se pronunciou sobre as alegações feitas pelo deputado. O espaço para sua manifestação permanece aberto.

Conforme argumenta Lindbergh, havia indícios de fragilidade financeira no Banco Master que foram monitorados pelo Banco Central ao longo dos anos. No entanto, não foram tomadas medidas mais rigorosas, como intervenção ou a implementação de uma direção fiscal, que poderiam ter evitado a deterioração da instituição.

O deputado menciona que sinais de fragilidade, especialmente em relação à liquidez e à qualidade dos ativos, já eram perceptíveis nos anos que antecederam a liquidação do banco. Esses sinais, segundo ele, foram objeto de relatórios internos e alertas técnicos, o que justifica uma investigação minuciosa sobre como essas informações foram tratadas.

Na petição, Lindbergh também faz referência a uma norma editada pelo Banco Central em outubro de 2023, durante a gestão de Campos Neto, que permitiu que o Banco Master e outras instituições financeiras não contabilizassem o risco associado a precatórios e direitos creditórios em seus balanços. Isso possibilitou que o Banco Master, que possui uma significativa quantidade desses papéis entre seus ativos, continuasse suas operações sem a necessidade de novos aportes de capital por parte dos sócios ou a venda de ativos.

O deputado observa que a norma alterou os chamados “fatores de ponderação de risco” (FPR), uma classificação que aumenta o risco de determinados ativos nos balanços das instituições financeiras.

Campos Neto tinha conhecimento dos problemas do Banco Master, mas não interveio

Relatos indicam que Campos Neto estava ciente dos graves problemas de liquidez enfrentados pelo Banco Master durante sua gestão no Banco Central, mas optou por não adotar medidas mais drásticas contra a instituição.

O crescimento do Banco Master, sob a liderança de Daniel Vorcaro, ocorreu entre 2019 e 2024, período em que Campos Neto estava à frente da autoridade monetária. Em novembro de 2024, o Banco Master enviou uma comunicação ao Banco Central, comprometendo-se a implementar medidas para restaurar sua saúde financeira até maio de 2025.

Essa manifestação foi uma resposta a um ultimato da autoridade monetária, um ano antes de o banco ser liquidado pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025.

Durante a gestão de Campos Neto no Banco Central, o Banco Master foi criado e expandiu suas operações, mesmo em meio a alegações de fraudes, durante o governo de Jair Bolsonaro.

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