Mendonça isenta ex-sócio de Vorcaro de depor na CPMI do INSS
Decisão do STF sobre Augusto Lima gera polêmica na CPMI do INSS.
A ida do banqueiro Augusto Ferreira Lima à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, marcada para a quarta-feira (11 de março de 2026), foi tornada facultativa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A decisão resultou no cancelamento da sessão programada.
Com a nova determinação, caso Augusto Lima compareça à CPMI, ele terá garantidos alguns direitos. Entre eles, o direito ao silêncio, a assistência de um advogado durante o ato e a não obrigatoriedade de se comprometer a dizer a verdade. Além disso, ele não poderá ser submetido a constrangimentos físicos ou morais ao exercer esses direitos.
Augusto Lima, ex-controlador do Banco Pleno, esteve envolvido em questões financeiras que culminaram na liquidação extrajudicial da instituição, decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano. Sua relação com o Banco Master, onde foi sócio de Daniel Vorcaro, também levanta questões sobre sua atuação no setor financeiro.
Carlos Viana critica decisão do STF
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, expressou sua insatisfação com a decisão de Mendonça, considerando-a uma interferência no trabalho do Congresso Nacional. Ele destacou que essa decisão pode atrasar as investigações sobre irregularidades na Previdência Social, que visam trazer respostas à população sobre os problemas enfrentados por aposentados e pensionistas.
Viana enfatizou a importância da CPMI em esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos no escândalo que afetou a Previdência, defendendo o respeito ao trabalho do Congresso e a necessidade de um equilíbrio entre os Poderes. Ele anunciou que se reunirá com Mendonça para discutir a situação.
Quem é Augusto Lima?
Augusto Lima é economista e ganhou notoriedade ao adquirir em 2018 a Ebal (Empresa Baiana de Alimentos) durante um leilão, que incluía a rede de supermercados Cesta do Povo. Ele pagou R$ 15 milhões e assumiu as dívidas da empresa, em uma tentativa de privatização que já havia sido tentada outras vezes pelo governo da Bahia.
O empresário foi preso preventivamente em novembro de 2025, durante a operação Compliance Zero, mas foi liberado dez dias depois, sob medidas cautelares. Lima possui conexões com diversos políticos, incluindo Rui Costa e Jaques Wagner, além de manter relações com figuras de diferentes espectros políticos, como ACM Neto.
Ele se desvinculou da sociedade com Vorcaro em maio de 2024 e adquiriu o Banco Voiter, que se tornou o Banco Pleno, em junho de 2025. O banco, no entanto, foi liquidado pelo Banco Central apenas oito meses após sua aquisição.
