Anthropic move contra governo dos EUA após classificação como risco à cadeia de suprimentos
Anthropic processa governo dos EUA após ser classificada como risco à cadeia de suprimentos.
A empresa de inteligência artificial Anthropic ingressou com uma ação judicial contra o governo dos Estados Unidos, após ser rotulada como um “risco à cadeia de suprimentos”. Essa classificação resultou na proibição do uso de suas ferramentas por órgãos federais, levando a companhia a alegar que a decisão é uma retaliação a divergências sobre o uso de seus sistemas no setor militar.
O processo foi protocolado em um tribunal federal na Califórnia e envolve o gabinete do presidente Donald Trump, além de diversas autoridades governamentais e aproximadamente 16 agências federais. Entre os citados estão o secretário de Defesa, o secretário de Estado e o secretário de Comércio.
No documento judicial, a Anthropic argumenta que a classificação como risco é uma medida sem precedentes e não respaldada pela legislação federal. A empresa alega que o governo utilizou seu poder institucional para punir a companhia por suas opiniões públicas sobre o uso da tecnologia.
A disputa teve início quando a Anthropic se recusou a remover restrições de seus contratos com o governo. Essas limitações, que a empresa afirma serem parte integrante dos acordos, incluem proibições relacionadas ao uso de inteligência artificial em sistemas de armas autônomas letais e em programas de vigilância em massa.
Segundo o processo, o secretário de Defesa teria pressionado a empresa a eliminar essas cláusulas para permitir um uso mais amplo da tecnologia em aplicações militares. A Anthropic mencionou que chegou a negociar mudanças contratuais, mantendo, no entanto, salvaguardas em relação a armamentos e monitoramento em larga escala.
Enquanto as negociações estavam em curso, o presidente Trump começou a criticar publicamente a empresa, ordenando que órgãos do governo deixassem de utilizar suas ferramentas. Isso culminou na classificação oficial da Anthropic como risco à cadeia de suprimentos, resultando na suspensão de contratos e na proibição do uso de seus sistemas por fornecedores do governo federal.
Impactos nos negócios
A decisão do governo teve impactos diretos nos negócios da Anthropic. A empresa afirma que a classificação pode afetar contratos atuais e futuros com empresas privadas, colocando em risco acordos que somam centenas de milhões de dólares.
Além das potenciais perdas financeiras, a companhia argumenta que a medida compromete sua reputação e estabelece um precedente perigoso para outras empresas do setor tecnológico. A Anthropic sustenta que a postura do governo pode desencorajar outras companhias a expressarem preocupações sobre o uso de tecnologias avançadas em contextos sensíveis.
Desde 2024, a Anthropic possui contratos com agências governamentais e foi uma das primeiras empresas de IA a ter suas ferramentas utilizadas em ambientes classificados dentro do governo dos EUA. Um de seus produtos mais conhecidos é o Claude, um sistema de inteligência artificial amplamente adotado por diversas empresas de tecnologia.
Gigantes do setor, como Google, Amazon e Microsoft, utilizam ferramentas da Anthropic em vários projetos internos, mantendo também contratos com o governo americano e indicando que continuarão a usar os sistemas da companhia em atividades fora do escopo de defesa.
O caso recebeu apoio de profissionais da indústria de inteligência artificial, com um grupo de cerca de 40 funcionários de empresas como Google e OpenAI apresentando um documento ao tribunal em favor da Anthropic. O texto defende que sistemas de IA avançados podem representar riscos quando utilizados em vigilância em massa ou em armamentos autônomos sem supervisão humana.
Apesar da disputa com o governo, a Anthropic não busca compensação financeira no processo. O principal objetivo da ação é que a Justiça declare inválida a decisão governamental e revogue a classificação de risco atribuída à empresa.
Especialistas em direito constitucional afirmam que o caso pode se estender por várias instâncias judiciais, possivelmente chegando à Suprema Corte dos Estados Unidos.
