Raízen solicita recuperação extrajudicial com dívida de R$ 65,1 bilhões

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Dívida de R$ 65,1 bilhões leva Raízen à recuperação extrajudicial

A Raízen anunciou que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, buscando renegociar dívidas e fortalecer seu caixa.

Esse processo de recuperação extrajudicial permite que a empresa renegocie suas obrigações financeiras diretamente com credores, sem a intervenção do sistema judiciário. O objetivo é alcançar melhores condições de pagamento e evitar a falência.

A dívida total da Raízen é estimada em cerca de R$ 65,1 bilhões, incluindo valores devidos entre suas próprias subsidiárias. O pedido foi formalizado na Justiça de São Paulo e visa criar um ambiente mais seguro para as negociações.

A empresa está em diálogo com seus principais credores quirografários, que são aqueles que não possuem garantias reais para seus créditos, como imóveis ou maquinário. Isso inclui bancos, investidores e fornecedores que concederam crédito sem exigir garantias.

Até o momento, credores que representam mais de 47% das dívidas não garantidas já aderiram ao plano, o que é suficiente para que a Raízen formalize o pedido de recuperação extrajudicial.

A companhia terá um prazo de até 90 dias para garantir o apoio necessário para a aprovação do plano, que, se aceito, será válido para todos os credores envolvidos.

O plano de recuperação pode incluir injeções de capital por parte dos acionistas, conversão de dívidas em ações, prazos de pagamento mais longos e até a venda de ativos.

“A recuperação extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios”, informou a empresa.

Dívidas e pressão financeira

A Raízen enfrenta uma pressão financeira significativa, com a dívida líquida atingindo R$ 55,3 bilhões no final de dezembro. Este cenário levou a controladora a indicar que uma solução poderia ser anunciada em breve.

Durante uma teleconferência, o CEO da Raízen mencionou que as negociações com credores e acionistas estavam avançando, indicando um esforço coordenado para resolver a situação financeira da empresa.

“Isso tudo acabou resultando em uma conversa estruturada com os credores, e que nós acreditamos hoje que deva levar a uma evolução que a gente possa encontrar uma solução satisfatória para o mercado que resolva definitivamente o problema de Raízen”, disse o CEO.

A Raízen também está considerando uma proposta de capitalização liderada pela Shell, que pode injetar R$ 4 bilhões na empresa. Esse investimento incluiria R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de um fundo ligado à família do empresário Rubens Ometto.

O capital adicional ajudaria a melhorar a liquidez da empresa enquanto ela trabalha na reestruturação de suas dívidas.

Em comunicado, a Raízen já havia sinalizado sua intenção de reestruturar suas dívidas através da recuperação extrajudicial, com um forte engajamento nas conversas com credores e investidores.

Tentativa de reorganização

A situação financeira da Raízen se deteriorou devido a altos investimentos, condições climáticas adversas que afetaram a produção e a elevação das taxas de juros, o que pressionou ainda mais suas finanças.

No terceiro trimestre da safra 2025/26, a empresa reportou um prejuízo de R$ 15,6 bilhões, em grande parte devido a um ajuste contábil significativo. Sem esse ajuste, a perda teria sido menor.

Durante esse período, a receita foi de R$ 60,4 bilhões, apresentando uma queda de 9,7% em relação ao ano anterior. A empresa está implementando um plano para cortar custos, vender ativos e reduzir sua dívida.

Aholding Cosan, controlada por Rubens Ometto, não participará diretamente da capitalização, mas acompanhará as negociações como acionista, garantindo que a empresa continue a receber a atenção necessária para sua recuperação.

A Raízen, que é uma joint venture entre Cosan e Shell, continua a operar normalmente, mantendo suas relações com clientes e fornecedores, enquanto busca uma solução para sua reestruturação financeira.

O que diz a empresa

A Raízen esclarece que a

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